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Outro ponto de vista…

Estamos a chegar a um tempo que nos mostra que não aprendemos nada com os erros passados

N/D
16 Abr 2004

O mundo em que vivemos parece-nos estar a transformar-se num espaço muito perigoso. Os mais cépticos em relação à natureza humana, dir-nos-ão que sempre assim foi e sempre assim será.

Convenhamos que numa abordagem mais simplista e superficial o elemento mais perverso do homem aparece de forma preponderante.

O exemplo do que se passa em lugares díspares, mas próximos pelos horrores, pode levar-nos de um cepticismo mais metodológico a um estado de profundo pessimismo, senão mesmo a um estado de debilidade profunda.

A intervenção no Iraque, necessária nos seus pressupostos iniciais, que degenerou numa situação insustentável, por razões que têm a ver com a manifesta ignorância do principal actor interveniente, vem provocar ainda mais este estado de profundo desencanto. Óbvio, até por razões de honestidade intelectual, que a tentativa de alguns “opinadores” de compararem o não-comparável, a ligação entre este conflito e o havido no Vietname, serve interesses claros de manipulação da opinião pública.

A situação no Iraque é diversa, o mundo é diferente e as razões de base são completamente distintas.

Um aspecto, contudo, parece-nos o mesmo: os conflitos são sempre políticos, não são resolúveis nunca por meios militares, têm sempre na sua solução uma componente política. Não entender esta “nuance” é prolongar o sofrimento de muitos por tão pouco, ou melhor, por coisa nenhuma.

Mais ao lado, procura-se resolver uma situação de guerra permanente com um plano audacioso, murando pessoas.

Isto é terrífico, desumano.

Quando visitei Berlim envergonhei-me de ser humano… Se algum israelita visitar Varsóvia, por exemplo, sentirá o mesmo que hoje muitos dos seus irmãos palestinianos sentem. Na década de 40 tínhamos os judeus em guetos, por razões, também, aparentemente de segurança.

Mais uma vez tenta resolver-se o efeito, escondendo a causa.

Mas se formos ao hemisfério sul verificamos que no Rio de Janeiro inova-se no combate ao narcotráfico. De que forma? Murando as favelas onde supostamente se trafica.

Inacreditável! Inconcebível!

Estamos a chegar a um tempo que nos mostra que não aprendemos nada com os erros passados.

Gostaria de ainda viver num tempo em que a natureza mais perversa do homem desse lugar ao verdadeiro humano, que respeita o Outro, porque só com o Outro a sua vida tem verdadeiro sentido.




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