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Da lucidez troglodita à coerência construtiva…

Sentimos que a lucidez deverá ser a pedra de toque de quantos procuram informar e formar

N/D
15 Abr 2004

Desde finais de Março – coincidência ou não, logo após os atentados de 11 M – temos vindo a ser chamados a reflectir sobre a ‘lucidez’. Não que este termo seja propriedade de qualquer literato ou contestatário, mas torna-se, de facto, urgente desmontar tanto protagonismo, assaz cobertura mediática ou mero oportunismo… ao menos nas vendas!
Com efeito, já é muito antiga a reflexão sobre a influência que a sociedade – seja qual for a mat(r)iz ou mesmo a ideologia – tem na educação da pessoa. Nos tempos da ‘revolução francesa’ questionava-se o estádio cândido do homem, que terá sido adulterado pelas mais diversas camadas educacionais, tenham ou não a vertente religiosa.

Se nos detivermos na complexa mentalidade dos anos 60 do século vinte poderemos (re)ver um retorno à conduta naturalista dos hippies e sequazes, com o ‘make love not war’ como refrão desse bom ‘selvagem’, senão na teoria ao menos na prática… A mais recente descoberta da importância da ecologia – como os movimentos verdes ou com tonalidades similares – e da defesa do ambiente reveste (nalguns casos) a faceta fundamentalista, numa quase idolatrização da ‘mãe-natureza’, com expressões religiosas ancestrais… e com larga propaganda.

– Quantas vezes somos confrontados com situações de teor (cada vez mais) estatizante, onde a falta de lucidez faz obnubilar a importância da pessoa humana, como sujeito e centro das decisões pessoais, interrelacionais e comunitárias.

– Quantas vezes vemos que a lucidez parece estar em saldo ao propô-la, defendendo o seu contrário, como neste exemplo: a necessidade/obrigação de votar, escolhendo a modalidade que possa revestir a indefinição pelo voto (em branco) expresso…

– Quantas vezes sentimos que há órgãos de comunicação social onde a lucidez informativa/formativa está hipotecada a algum grupo partidário, facção económica ou sector de interesses… causando pressão aos que se pretendem independentes na letra e (sobretudo) na prática.

Acreditando que, passados oitenta e cinco deste jornal Diário do Minho, ainda é possível ajudar a construir uma intervenção serena nesta região do país, sentimos que a lucidez deverá ser a pedra de toque de quantos procuram informar e formar, sem se deixarem derrotar pela desmobilização, pelo desinteresse ou mesmo pela maledicência de certos ‘velhos do Restelo’, seja qual for a sua idade…

Acreditando que é pelo diálogo sincero, construtivo e comprometido, poderemos acrisolar a lucidez, sem nos vendermos, pois a pessoa humana não tem preço, quando tem dignidade e sabe discernir os valores em que aposta e defende.

Acreditando que é preciso andar de cabeça levantada, ajudaremos a edificar cada vez mais e melhor esta sociedade que sabe em Quem confia, lúcida e humildemente.

Os vindouros merecem o nosso empenhamento.




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