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A Igreja que ajudo a construir

Uma Igreja onde exista menos agitação e mais eficácia; menos activismo e mais ponderação; onde se não queiram resolver todos os problemas num dia mas se vá procurando solucionar um de cada vez; onde se cumpra o que se programou e se faça o que se disse que se ia fazer

N/D
15 Abr 2004

Também eu me sinto comprometido com a Igreja Bracarense e procuro colaborar na sua construção.

Pretendo que tal Igreja seja uma comunidade aberta a todos os que aderem ao projecto de salvação proposto por Jesus Cristo.

Uma Igreja que, reconhecendo o testemunho de muitas pessoas que procuraram viver exemplarmente o Cristianismo e os preciosos escritos que nos deixaram, tenha por base Jesus Cristo e a Sua Boa Nova e os ensinamentos dos Apóstolos.

Uma Igreja onde não exista o fanatismo e se distinga claramente o que é verdade de fé do que é deixado à livre opinião dos crentes.

Uma Igreja com menos velinhas e mais vocações para servir.

Uma Igreja sem tachos e sem penachos mas com muita doação e muita entrega.

Uma Igreja onde a liberdade de associação e a diversidade de movimentos não sejam pretexto para a existência de grupos fechados mas contribua para que, sentindo-se cada um membro do mesmo corpo, procure o bem da comunidade e colabore nas actividades da mesma.

Uma Igreja onde se viva a convicção de que é no dar que se recebe.

Uma Igreja que seja verdadeira comunhão de ministérios e de carismas. Onde o padre não seja o faz-tudo mas os leigos sejam estimulados a assumirem as suas tarefas. Onde se fomente a corresponsabilidade. Onde o clero se dedique ao específico da sua missão e deixe a actividade temporal à responsabilidade dos leigos.

Uma Igreja onde os sacerdotes estejam disponíveis para atenderem quem os procura e dediquem uma parte do seu tempo ao sacramento da Reconciliação. Onde não haja templos sem confessionários e sem um serviço regular de confissões.

Uma Igreja disciplinada e organizada mas não presa de tal maneira a esquemas e projectos que se veja impedida de dar o primado à pessoa humana.

Uma Igreja que procure exercer as suas três grandes missões – sacerdotal, profética, pastoral – e não apenas uma ou algumas delas.

Uma Igreja cujas eucaristias dominicais sejam uma verdadeira celebração festiva da Ressurreição do Senhor, alegremente participada por todos.

Uma Igreja onde os Ministros Extraordinários da Comunhão assumam efectivamente a tarefa da assistência aos idosos e aos doentes da comunidade a que pertencem e sejam presença assídua junto dos que, por doença ou por velhice, não podem participar normalmente na eucaristia dominical.

Uma Igreja cujos membros saibam, com o testemunho de vida e com a palavra, dar aos outros as razões da sua esperança.

Uma Igreja que se consagre à prática efectiva da caridade, procurando que no seu seio não haja ninguém privado do necessário para poder viver com dignidade.

Uma Igreja que, sem esquecer a obrigação de evangelizar também os mais favorecidos, viva a opção preferencial pelos pobres.

Uma Igreja cuja acção evangelizadora e profética se não limite às sessões de catequese e às homilias mas cujos membros intervenham na vida da cidade, tendo sempre em vista o bem comum. Que utilize os novos púlpitos que são os tradicionais Meios de Comunicação Social e a Internet, analisando, numa perspectiva cristã, os problemas dos homens de hoje, numa linguagem de hoje. Que promova debates e encontros de reflexão sobre o que preocupa os homens do nosso tempo.

Uma Igreja cujos membros não tenham medo nem vergonha de assumir tarefas no campo da política, do sindicalismo, do associativismo, do desporto, para dignificarem cada vez mais aqueles sectores da vida humana e os colocarem cada vez mais ao serviço da promoção de todo o homem e do homem todo.

Uma Igreja respeitadora de todos mas descomprometida em relação aos vários poderes, a fim de que, com inteira liberdade, possa exercer a sua missão profética.

Uma Igreja que, na denúncia dos erros, procure respeitar a pessoa que erra e tenha como finalidade a emenda de quem errou.

Uma Igreja que, não procurando o espavento, saiba conjugar a simplicidade com a dignidade.

Uma Igreja onde a autoridade seja exercida como um serviço, a todos os níveis.

Uma Igreja que não deixe de reconhecer os erros dos seus membros e procure viver em constante processo de conversão.

Uma Igreja que proponha a todos o projecto do Evangelho mas sem o impor a ninguém.

Uma Igreja que, sem fechar os olhos à realidade, seja anunciadora do Evangelho da Esperança.

Uma Igreja onde exista menos agitação e mais eficácia; menos activismo e mais ponderação; onde se não queiram resolver todos os problemas num dia mas se vá procurando solucionar um de cada vez; onde se cumpra o que se programou e se faça o que se disse que se ia fazer.




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