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A França: o enfermo da Europa

Este título, “França: o enfermo da Europa”, é do diário espanhol “ABC” face às realidades políticas que assolam a França e às quais os políticos governantes não têm dado resposta.

N/D
14 Abr 2004

No plano europeu, a França e a Alemanha juntaram-se e tentam comandar a política.

Esta iniciativa de pensamento a executar-se provocou reacções dentro da Comunidade Europeia, pois levava à mesma as decisões de dois sobre o conjunto dos membros.

O caso provocou reacções de Chirac, Presidente da França, Schroder, Presidente do Governo Alemão, e Blair, Presidente do Governo Inglês.

A presença do político britânico num encontro dos três foi originada certamente por conveniência política, dos dois restantes, visto que Londres não tem estado presente nesta organização, e, até, tem agido no sentido de não ser tido como parceiro desse conjunto. Os três compreenderam esta realidade política e afirmaram que não querem dominar a Europa, o que desejam é sair do estancamento.

Os três procuraram expressar a sua vontade política e expressaram-na dizendo que era para o «crescimento e o emprego».

Acontece, porém, que neste momento a França é um enfermo da Europa, e a Alemanha debate-se também com uma grave crise da mesma natureza.

Ora a França e a Alemanha, desde a primeira hora, procuravam comandar o Velho Continente.
Aconteceu, também, que nestes dois países a vida económica e financeira sofreu duros golpes, que feriram os respectivos governos.

Chirac foi aclamado nas urnas, nas eleições presidenciais, as quais lhe conferiram o lugar que hoje ocupa. Mas a política interna francesa, face aos acontecimentos registados, perdeu prestígio.

Um comentador regista-o com estas palavras no diário espanhol “ABC”: «Pouco durou a esperança.

As greves gerais, as reacções sindicais e os processos judiciais de corrupção sobre personalidades vinculadas ao ambiente presidencial desligaram a poucos meses das legislativas a vontade de trocar a esclerose congénita da sociedade francesa». E remata o artigo com um longo período que também transcrevemos: «Hoje a realidade devolveu a crueza das coisas: o défice público superou os 4 por cento do PIB, 3,5 por cento sobre o que se tinha em 2001; a dívida pública agravou-se 60 por cento e o défice da segurança social duplicou em dois anos.

Com uma economia estagnada e o desemprego em alta não é de estranhar que 2.000 cientistas franceses apresentem a sua demissão colectiva».

Perante esta realidade, a articulista remata: «O pior: que um novo doente ameace desestabilizar o futuro da Europa».

A França quis aproveitar a oportunidade política da construção da Nova Europa para assumir um lugar de comando. Infelizmente a política interna, como se vê e regista, não proporciona com objectividade e firmeza essa ambição.

O jornal “Le Monde”, antes destes acontecimentos, publicou um artigo com este parágrafo introdutório: «Em menos de um ano, os dois países sofreram dois revezes importantes que mostram que eles não podem pretender ser, sós, o motor duma União composta de 25 países».

O que transcrevemos não é novidade, pois, entre nós, os que vêem e olham a política a sério não podiam compreender que num conjunto organizado dois países, por serem maioritários em população, se apressassem a tomar posições que expressam bem que a democracia não é aquela que a razão e a seriedade impõem.

Acontece, até, que a França tem assumido nos últimos dias atitudes que não são democráticas.

Referimo-nos às decisões que tomou, há pouco, em relação ao uso público de símbolos religiosos.

É pena que não haja respeito pela história, pela democracia autêntica e pelo futuro consciente e responsável das sociedades públicas.

A França assumiu, e tem assumido, atitudes que, enfrentando a religião, colocam os governantes num palco que desrespeitam.

O actual Presidente da França, ao falar de liberdade religiosa, diz «viver a fé no segredo do coração».

Isto explica, parcialmente, a atitude tomada pela França nas recentes decisões sobre o véu islâmico e o uso público de símbolos religiosos.

O laicismo francês sobrepõe-se às exigências do homem na liberdade de utilizar os símbolos religiosos que bem entende.

Por isso nos chamou a atenção um artigo que aborda o assunto, com este título: “A liberdade religiosa deve ser clandestina?”




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