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781. Senhora Ministra das Finanças:

1 Afinal, quem paga a crise? Quem paga todas as crises venham elas da esquerda, do centro ou da direita? Obviamente, os mesmos, sempre os mesmos: a classe média assalariada, incluindo os funcionários públicos com salários mensais acima dos 1000 euros e que, vai para dois anos, não têm aumentos!

N/D
14 Abr 2004

Mas isto não é de hoje, nem de ontem. Sempre, ao longo da história, a classe média paga as favas das revoluções e das crises. E, simplesmente, só porque é média, isto é, está no meio e em maioria! E não é rica, nem pobre, mas remediada!

Depois, porque tem mais perspectivas de vida, de presente e de futuro sobre os constrangimentos a elas atinentes e lhe custam caro: educação dos filhos, habitação própria, automóvel, posição social, cultura, etc., etc., etc.

E porque é ela que sustenta ou derruba governos, tem melhor poder de compra, encoraja ou debilita a economia e revitaliza ou enfraquece os regimes e instituições, a classe média assalariada transforma-se, para o bem e para o mal, na mais apetecida vítima de todos os governos, que, quando as coisas dão para o torto, sobre ela assestam o camartelo financeiro e fiscal.
Palavra de ordem, pois: sacar onde se pode e não onde o há!

2. E assim até nem custa, senhora Ministra, e nem requer uma qualquer pós-graduação em economia e finanças! É básico. É óbvio. Como dois e dois serem quatro e ser do domínio de qualquer dona de casa que sabe que, se tem dez para gastar, não pode gastar onze e corta onde tem de cortar para equilibrar a balança: nas despesas. E isto é uma forma de governar universal e não costuma levar a lado nenhum. Ou melhor, leva só ao lado mais fácil e cómodo: equilíbrio financeiro pela negativa!

Agora, senhora Ministra, reduzir as despesas pelo aumento das receitas, já tem mais que se lhe diga, mormente num país como o nosso, onde só paga impostos quem a eles não pode fugir! Ou quem tem alguma coisa, como se vê no recente aumento, brutal e vampiresco, do imposto municipal sobre imóveis, e que ainda não parou, e é fruto de uma escandalosa actualização, porque em espiral, do valor patrimonial tributário! E de que se pode concluir: neste país só compensa ter muito ou não ter nada!

Depois, eu pergunto: porque continua o Estado a praticar o despesismo, bem patente nas novas instalações da RTP e na festança da sua inauguração, nas sucessivas viagens presidenciais e do governo, na aquisição de carros topo de gama e outras mordomias para ministérios, empresas públicas e gestores, no Euro-2004… Ou porque é que 58 por cento das empresas não pagam IRC? E o aperto da fuga ao fisco e aos impostos se tem saldado por um enorme fiasco?

Tudo enviesadas maneiras de não aumentar as receitas, não promover o desenvolvimento e o crescimento, nem cortar na despesa pública e reduzir o défice!

Pois é, senhora Ministra, aparentemente, parece que está tudo bem: a despesa tem diminuído, o défice está controlado, a retoma avizinha-se (pelo menos nos discursos oficiais). Mas, será que, na verdade, vivemos mais prósperos e felizes, quando a pobreza atinge um em cada cinco portugueses, duzentas mil pessoas passa fome e um milhão não tem água canalizada, o desemprego aumenta, a exclusão…? Um enorme cortejo de misérias.

E é a prova provada de que estamos cada vez mais pobres e mais infelizes! Cada vez mais de tanga! Ou sem tanga!

Já se vão ouvindo frequentes acordes governamentais da saída da crise! Em Junho são as eleições europeias e no próximo ano as autárquicas. Será que uma coisa tem a ver com a outra?

Pelo menos, dá que pensar e duvidar! Nem que seja da realidade dos números e da verdade das palavras! No fundo, dá que pensar e duvidar sobre se o tremendo sacrifício, mormente da classe média assalariada e dos tais funcionários públicos, não passou de um vergonhoso quiproquó político e nos deixa cada vez mais na mesma!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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