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Em tempo de Páscoa (Reflexão breve) – Porque urge procurar novos caminhos!

Somos o povo do fado. Cantamos fundamentalmente a lamúria e cultivamos a tristeza. Alimentamos o espírito da desgraça e vivemos em estado de angústia quase permanente. Estes e outros sentimentos que nos fazem nostálgicos e enfadonhos condicionam de um modo geral aquilo que somos: uma gente melancólica e avessa a sacrifícios.

N/D
13 Abr 2004

Nos poucos momentos da História em que nos libertamos de tamanhas amarras fomos tão grandes como os maiores. Foi assim nos Descobrimentos, na Restauração da Independência e na reconstrução de Lisboa após o grande terramoto. Sempre que tivemos timoneiros corajosos e capazes de agir como verdadeiros psicoterapeutas colectivos conseguimos vencer.

Hoje, lançando um olhar atento sobre os mais diversos sectores da sociedade portuguesa ficamos com a impressão de que estamos a precisar, com urgência, de um tratamento de choque que nos acorde do imobilismo em que teimamos permanecer e nos leve a patamares de confiança que nos façam caminhar com alegria para um futuro melhor.

Muito há que mudar para viabilizar este caminho. Se individualmente formos capazes de ultrapassar um conjunto de sentimentos negativos que nos coarctam a vontade e nos limitam no trabalho, melhor agiremos nas organizações em que nos inserimos e tudo poderá mudar. Se soubermos responder a uma simples saudação com espontaneidade e alegria, se aceitarmos sem reservas um pequeno sacrifício ou ultrapassarmos sem rancor uma contrariedade poderemos construir um caminho novo.

Se os noticiários passarem a abrir com as boas notícias relegando as desgraças para outro lugar, se cultivarmos o que de bom na realidade possuímos poderemos construir um futuro risonho. Se souber-mos apreciar o que de melhor temos, como o sol e o mar, a paz em que vivemos e olharmos com prazer o verde dos nossos campos poderemos aspirar a mais felicidade.

Não! Não se trata de ficcionar a realidade. Apenas um mero exercício que possa de algum modo ajudar a alterar o que de estranho existe em cada português. Olhando-a bem de frente seremos capazes de enumerar bons exemplos de como uma mudança de atitude muito pode melhorar as nossas vidas. Com novas posturas, boa organização e trabalho de qualidade seremos tão bons como os melhores.

Em áreas tão diferentes como a Saúde, a Economia ou o Desporto temos de ser capazes de revolucionar mentalidades e de nos libertarmos de vez das lamúrias do destino. A sorte também se constrói com trabalho e temos de a procurar em cada um dos nossos dias.

É tempo de Páscoa e urge renovar a esperança. Acredito que é possível.

Termino dando um exemplo que todos entenderão, visto ser o futebol um fenómeno que atravessa toda a sociedade. Refiro-me aos feitos do F. C. Porto além fronteiras. Temos de reconhecer, independentemente de fervores clubistas, que o maior clube da cidade Invicta é um exemplo de que com organização, disciplina e trabalho se pode ir sempre mais além. E com alguma sorte! Mas, como diz o provérbio a sorte protege os audazes. Ousemos ser diferentes e poderemos ser muito melhores.




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