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Juntos pela Europa

Na sua edição de 3 de Março findo, o DM noticiou a realização de um encontro, no próximo dia 8 de Maio, em Estugarda, Alemanha, de mais de 150 movimentos cristãos – católicos, ortodoxos, evangélicos e anglicanos -, destinado a preparar a contribuição de todos na construção da unidade da Europa.

N/D
8 Abr 2004

Pondo de lado os aspectos (sobretudo institucionais) que os dividem, aqueles movimentos eclesiais, numa iniciativa inédita que nos apraz registar, decidiram reunir-se para, em conjunto, reflectirem sobre os traços carismáticos que os unem e sobre a importância decisiva do seu conhecimento colectivo para a formação de uma verdadeira e completa cidadania europeia, aberta aos valores do humanismo, da fraternidade, da tolerância e do ecumenismo.

Numa nova Europa que se propõe trabalhar em favor da paz, da justiça e da solidariedade no mundo, é fundamental o papel das instituições religiosas, particularmente as cristãs de todas as confissões, cujos princípios e valores estão, justamente, na base da matriz espiritual e cultural do Velho Continente. Este complexo desafio não pode, pois, confinar-se à sociedade civil, sob pena de o esvaziar de uma das mais marcantes facetas da natureza humanas – a mística.

Perante o drama hodierno do fanatismo religioso, é fundamental que os Estados europeus, laicos ou com religião oficial, apoiem activamente o movimento ecuménico em curso e contribuam, através da educação, para o conhecimento recíproco das diversas religiões e das diferentes culturas, tal como promovem o ensino das línguas e literaturas estrangeiras. Só se pode amar e compreender o que se conhece.

Impedir o uso de símbolos religiosos nas escolas ou outros lugares públicos e banir dos currículos escolares as disciplinas de moral e religião é, sem dúvida, um mau caminho e uma atitude tão censurável e intolerante quanto aquela que é preconizada pelos regimes fundamentalistas religiosos.

Como repetidamente se tem dito e escrito, sob a capa da autonomia e da separação, o laicismo de alguns Estados ditos de Direito e democráticos esconde comportamentos verdadeiramente intolerantes e intransigentes, em tudo idênticos aos do fanatismo dos Estados teocráticos.

Por consequência, para que a Europa alargada do século XXI emirja como uma realidade política, coesa e unida, importa que os Estados-membros e os seus cidadãos, na estrita observância dos princípios, direitos e deveres que constituem a base constitucional da UE, aprendam a respeitar a identidade, a língua, a cultura e as tradições de cada um dos povos que a integram.

A diversidade, ao invés de ser considerada como um obstáculo à unidade dos povos, deve ser encarada como um dom com que a Divina Providência quis enriquecê-la e potenciá-la.

Nesta perspectiva, ganha plena utilidade e oportunidade a mensagem pascal do Senhor Arcebispo de Braga, interpelando os cristãos a “assumir a missão de colocar Deus na história dos homens”, à semelhança da lição redentora da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Importa, pois, que cada um de nós, à luz do Evangelho e nos mais diversos campos de acção, contribua para tecer um quadro de relações fraternas entre os povos e culturas da Europa e entre estes e o resto do Mundo.

O combate à pobreza, à fome, à doença, à exclusão e à guerra tem, definitivamente, de ser assumido pelos europeus, em perfeita união, como uma tarefa colectiva e universal.

É com esta intenção que formulo votos dos maiores êxitos para o encontro de Estugarda que, naturalmente, nesta Páscoa, há-de estar presente nas nossas orações.




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