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Ofensiva anti-religiosa?

Um leitor em carta enviada a um jornal apresenta-a com este parágrafo: «As conclusões vindas a público da última [reunião da] Conferência Episcopal da Igreja Católica causaram celeumas entre a nossa classe bem-pensante. Desde os que a consideram uma confissão de fraqueza da Igreja perante a sociedade portuguesa contemporânea aos que nelas viram expressa a ambição da Igreja de continuar a exercer o seu domínio sobre o poder temporal como nos velhos tempos do sacro Império».

N/D
7 Abr 2004

O caso que agora registamos – crítica à Igreja pela sua acção doutrinária objectiva – tem existido entre nós mormente depois do 25 de Abril, em que com aproveitamento da liberdade não se respeita a verdade.
O Dr. Santana Lopes escreveu no “Diário de Notícias” de 25 de Abril de 2001, referindo-se às relações do Governo com a Igreja Católica: «Paradoxalmente, ou não, Mário Soares sempre teve cuidado nas relações com a Igreja Católica, procurando não tomar iniciativas que pusessem em causa o papel fundamental dessa mesma Igreja na sociedade portuguesa.

O Partido Socialista, nesse tempo, foi ele próprio, no geral, respeitador dos cuidados que Soares procurava ter, nessa matéria, na sua acção política.

Com António Guterres, tudo tem sido diferente e é com ele que se vão dando vários passos no sentido de opções pouco condizentes com aquelas que são as posições da Igreja Católica.

Com efeito, é nestes anos de governação de um primeiro-ministro tão assumidamente católico que, por iniciativa ou pelo aval dos socialistas, o Parlamento avança para medidas como a das uniões de facto, da pílula do dia seguinte, ou da tentativa da liberalização do regime da interrupção voluntária da gravidez».

Vasco Graça Moura escreveu também no “Diário de Notícias”, mas de 2 de Maio de 2001, um artigo que titulou “A Igreja e a vergonha”. Disse: «Deve reconhecer-se que, com todos os problemas que, em pura lógica de teoria do Estado e da Constituição, possam ser suscitados, a Igreja Católica em Portugal representa um baluarte muito eficaz contra as seitas e, por via disso, contra as lavagens de dinheiro, os branqueamentos, as corrupções e muitas outras mazelas, que são hoje o pão nosso de cada dia, do que todas as leis que possam ocorrer ao legislador.

Que traz uma mensagem de humanismo, de dignidade da pessoa e de tolerância, que é matriz da nossa civilização. Que tem uma acção educativa e assistencial, sem a qual o Estado estaria ainda mais perto da barbárie e do caos. Que tem uma radicação histórica e absolutamente maioritária em Portugal. Que defende uma ética cuja dimensão é essencial para a democracia ocidental e para a nossa».

Desejamos trazer aos nossos leitores as palavras de intelectuais que em seus escritos só desejam a verdade, não se submetendo aos interesses partidários ou à tentação exibicionista. Queremos, no entanto, rematar estas transcrições com uma outra de análise à doutrina que a Igreja insere em sua mensagem e que Nuno Azevedo e Pinho concretiza neste longo parágrafo: «Não dispondo da penetração crítica de tão argutos analistas, apenas consigo ver na nota pastoral do episcopado um grito de alarme e um protesto que só pecam por tardios. Protesto contra a crise moral e cívica que avassala a nossa sociedade.

Protesto contra a desagregação das famílias. Protesto contra o desrespeito pelo direito à saúde e pelo direito à vida. Protesto contra a corrupção. Protesto contra as clamorosas lacunas e falhas no nosso sistema de justiça. Protesto contra a incúria e a omissão das autoridade instituídas. Protesto, em suma, contra a crescente subversão de valores que deveriam ser permanentes nesta nação portuguesa que, há quase mil anos, nasceu e ainda hoje vive, no seu cerne, à sombra da doutrina cristã e da Igreja Católica».

O autor deste comentário refere-se aos que acusam a Igreja Católica, como fez Emídio Rangel: «veio a terreno acusar a Igreja de falta de ética por assumir postura de partido político. Como se ele próprio e a sua SIC, com as suas exemplares produções televisivas e a sua táctica selvagem para conquista de audiência, tivessem autoridade para dar lições de ética seja a quem for».

Alongamo-nos em citações. Fizemo-lo, no entanto, com objectivo pedagógico e jornalístico: apresentar a voz de quem, sem compromissos de fé, apresenta os motivos que a razão objectiva, sincera e independente, deve produzir sempre, mormente quando se dirige ao público.

É esta a missão da imprensa: a verdade e só a verdade.




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