Fotografia:
780. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga

Continuamos a ter uma cidade dominada pela mania das grandezas e a que o senhor Presidente gosta bem de dar publicidade. Ainda há tempos apregoava, à boca cheia, que temos o maior painel digital do mundo (no Estádio Municipal), para além do maior túnel rodoviário do país, do mais caro estádio para o Euro 2004 dos dez que se construíram, e da vintena de passagens aéreas para peões!

N/D
7 Abr 2004

Já para não falarmos no dinossauro político que também temos!

Mesmo assim, uma nova singularidade nos veio bater à porta: de cidade dos três pês, passamos a cidade dos quatro pês. Os que já, sobejamente, conhecemos e o pê de Pedintes!

Braga, efectivamente, está infestada de gente de mão estendida, lamúria fácil e ar compungido!

Quadros dolorosos de uma estranha cegada!

Novos ou velhos, escorreitos ou enjeitados, barbados ou escanhoados, nacionais ou estrangeiros, uma praga, como qualquer das sete do Egipto e mesmo sem ser de gafanhotos, caiu-nos não se sabe a soldo de que maldição!

E qualquer cidadão, de noite ou de dia, é confrontado nas esquinas, nos cafés, a meio das ruas, nos desvãos de escadas com urros de concertina, espasmos de flauta, lamúrias suplicantes, pagelas dolorosas num apelo voraz à queda da moedinha na lata, no chapéu, no papelão!
Uma vergonha! Um vexame!

Então, senhor Presidente, as portas das igrejas, porque locais de almas piedosas e apiedadas, são os locais de eleição para tal prática. E que chegam mesmo a transformar-se em palcos de discussões, ameaças e agressões entre os candidatos ao melhor lugar e, obviamente, à mais fácil obtenção do ansiado óbolo!

Dizem-me que por detrás de muita desta mendicidade há grupos organizados que mandam, comandam e exploram alguns actores de tão lamentável encenação. E na maior e mais descarada impunidade!

Ora, senhor Presidente, com as demais autoridades da cidade, é tempo de pôr cobro ao fenómeno que tanto incomoda os cidadãos mais sensíveis e é negro cartaz turístico para a nossa cidade já bimilenar! E não, seguramente, megalomania que levante o tão murcho estro de qualquer cidadão pelas taxas municipais!

E mesmo que para levar a bom termo a operação de limpeza, seja necessário o recurso à Polícia Municipal! Que ela, mais do que a multa e reboque dos carros mal estacionados, é um acto de profilaxia urbana e serviço cívico!

Depois, quem sabe, pode ser este o vigésimo quinto passo na caminhada da sonhada candidatura de Braga a capital nacional (primeiro) e europeia (depois) da cultura! Tijolo a tijolo se levanta a construção!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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