Fotografia:
Chover no molhado (32)

Uma das grandes manifestações do poder do amor que nada rejeita e ao qual nada falta, é unir as diferenças, sem que estas, contudo, percam a sua independência e o seu primor.

N/D
6 Abr 2004

As diferenças, como independentes, exigem que se mantenha a sua conservação e ordenam o seu fortalecimento e o seu permanente vigor. Porém, toda a autonomia das diferenças se firma no alicerce do amor. Este, em jeitos de entrelaçamentos recíprocos de aceitação e de cooperação em ordem ao trabalho, à riqueza, à disciplina, ao crescimento do progresso, da segurança, do conforto, da paz e harmonia, em todo e qualquer campo, as unirá, indelevelmente, sem perda do seu valor e do seu préstimo.
Eis, concretamente aqui, numa chuva copiosa de resultados positivos e crescentes, a revelação do prestígio e a coroa de glória de quaisquer líderes políticos – mesmo laicos – líderes sociais e líderes religiosos e a confirmá-los vêm pressurosos os testemunhos do Povo, como termómetro das suas lideranças, a susterem os pilares da confiança, da esperança e do optimismo de todos nós.

O amor é inteligente. E ao amor também lhe falta o afecto. A inteligência do amor é, pois, afectiva. E o afecto do amor é, pois, inteligente. A inteligência e o afecto são diferentes, mas inseparáveis. São diferentes, mas unidos. São diferentes, mas abraçam-se com ternura, no amor.

E o que é o afecto? Antes de responder, gostaria de conhecer algumas das suas famílias, cujos descendentes são talvez mais numerosos que as tonalidades do verde, espalhado pelos campos.

Ei-las: Ira; Tristeza; Medo; Prazer; Amizade; Aversão; Vergonha…

E o que é, então, o afecto? Olha, o afecto, antes de mais, é filho proveniente do casamento do sentimento com a emoção. E daqui sai toda esta prole, prole mais numerosa que as estrelas, que povoam e cintilam no céu. Tudo isto é um mistério. Mas mais misterioso ainda é o nosso Ser Concreto e Profundo, colmeia de todo este enxame.

O afecto é ternura; é afeição; é agrado; é simpatia; é bondade. Mas o afecto também é fúria; é cólera; é ódio; é depressão; é ansiedade e terror. O afecto é desagrado e desprezo; é humilhação e arrependimento. É espanto. É vivência…

E a pessoa, sujeito inteligente, afectivo e livre, está encarregada, por ordem de seu Ser Profundo, de estabelecer relações de amor, progressivamente ajustadas, com a realidade total. Mas pergunto: como pode ela, a infeliz, relacionar-se, se está, até às orelhas, ensopada neste sarrabulho de afectos? Que desgraça! E a reforçá-lo vem ainda as suas boas e más disposições, o seu estado de espírito, que nem sempre é bom, o temperamento, e o seu carácter. Como irá a pessoa sair deste nó górdio? E a reforçar este nó górdio está aí, ao lado, a Razão com cara de poucos amigos: rígida, fria, altiva, dominadora e senhora do seu nariz. Como desfazer este nó cego?

É esta, então, a ocasião propícia de a pessoa descobrir, para cumprir as ordens, os bebedouros do seu pensamento e detectar, dentro de si, o eixo de todos os males.




Notícias relacionadas


Scroll Up