Fotografia:
A Escola e a Família – o papel da Família (4)

Os pais, enquanto cidadãos, e as escolas, enquanto instituições comunitárias, são dois pólos essenciais à democracia. Os pais são cidadãos, contribuintes e clientes (consumidores). Ora neste triplo papel relacionam-se com as escolas em função da defesa dos seus interesses e das necessidades dos seus filhos. Entregar a defesa desses interesses “a profissionais” é demitir-se do exercício da cidadania.

N/D
6 Abr 2004

A cidadania implica a participação na tomada de decisões e o exercício do poder para nela influenciar.

A escola deve incluir os pais e os alunos nas estruturas parti-cipativas e na experiência pedagógica quotidiana.

Os estudos realizados nas últimas décadas sobre esta temática revelam que o envolvimento parental está positivamente relacionado com a qualidade do ensino. Esta relação explica-se pelo facto de os alunos viverem num mundo “ecológico” que inclui vários cenários interdependentes: a família, a escola, os grupos de amigos e a vizinhança. A falta de comunicação entre as várias instâncias do sistema provoca rupturas em todas as outras. Quando a escola não comunica com os restantes cenários do mundo ecológico do aluno, surgem descontinuidades que dificultam a integração e o desenvolvimento.

Se quisermos introduzir melhorias no mundo ecológico do discente, não podemos ignorar nenhum dos cenários, pois só uma intervenção integrada é capaz de alterar o sistema para níveis de integração superiores. Os pais, enquanto intervenientes fundamentais do cenário “família”, precisam de interagir continuamente com a escola, com os grupos de amigos e com a vizinhança.

O envolvimento dos Encarregados de Educação nos cenários que constituem o mundo do estudante dá-lhes poder e influência, permitindo-lhes um conhecimento maior dos seus papéis e das suas competências para ajudarem os filhos a crescer de uma forma saudável e harmoniosa.

Simultaneamente, o exercício do poder pelos pais é uma forma de lhes proporcionar o domínio das competências necessárias ao exercício da cidadania.

Quando os pais participam e dirigem reuniões, redigem relatórios e até actas, estabelecem contacto com as autoridades escolares e exercem “pressão” para influenciar tomadas de decisão, estão a aprender a exercer o poder político e, nessa medida, a participação parental é, em si mesma, também uma forma de educação e de formação dos pais.

Continua nos próximos números




Notícias relacionadas


Scroll Up