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Entre a glória e a paixão… de Cristo e a “nossa”!

Liturgicamente vivemos por estes dias um paradoxo: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e todo o processo da sua Paixão e Morte. Em Igreja contemplamos o nosso próprio itinerário comunitário, enquanto ao nível pessoal somos chamados como que a discernir o que devo fazer por entre as alegrias e tristezas, as “glórias” e as angústias, as certezas e as dúvidas… da nossa vida, nesta existência contingente embora divinizada.

N/D
5 Abr 2004

* Aplausos versus apupos – Esta frase poderia ser colocada como legenda àquilo que Jesus viveu entre a tarde de “Domingo de Ramos” e a condenação à morte. A multidão que O aclama, dias depois insulta-O; mais do que uma responsabilidade colectiva negativa, sentimos a manipulação fácil do “povo”, que ora corre atrás de líderes carismáticos, ora se deixa conduzir por interesses subterrâneos menos claros.
Não estaria Jesus (humanamente) preparado para esse espectáculo? Em vários momentos da sua vida terrena vêmo-Lo consciente desse risco: após a multiplicação dos pães Ele retira-se, pois percebeu que O queriam fazer “rei” só por lhes ter dado de comer.

Quantos ditadores aproveitariam oca-siões como essa para se catapultarem à fama e ao vedetismo! Quantos vendedores de promessas (eleitorais ou outras) se enfeitiçam com muito menos! Quantos sabichões da nossa praça intelectual tentam farejar lucidez nessa auréola aduladora! Quantos ídolos do palco procuram explorar a sua influência por trás do pano, quais tapetes invertidos ou figuras em contra luz!

E Jesus vive intensamente a contradição dessa hora: amigos e companheiros, adversários e inimigos misturam-se na teia desse drama sempre actual, vivo e atroz.

Ó Senhor, faz-me hoje compreender a confusão da Tua e da minha cruz!

Ó Senhor, ajuda-me a viver em serenidade nas horas mais escuras do meu dia a dia!

Ó Senhor, torna-me sinal lúcido da Tua presença no mundo!

* Deitar os foguetes e apanhar (com) as canas – Este slogan de índole popular pode reflectir a subtileza com que a fama se evapora: num dia tudo parece luminoso e pouco tempo depois surgem agruras, confusões e até acusações. De facto, corremos o risco de sermos – quantas vezes de forma inconsciente – pouco realistas, tanto sobre as nossas capacidades como na apreciação que os outros fazem de nós mesmos. Eles vêem-nos de forma mais independente, sincera e exigente.

Acredito nas minhas qualidades, dons e defeitos? Tenho por hábito analisar-me (pelo exame de consciência diário) em tudo quanto penso ou faço, digo ou desejo, tendo também em conta (particularmente) as minhas omissões? Como aprecio os erros dos outros: com benevolência ou como forma de me corrigir?

Ó Senhor, faz-me compreender aquilo que eu sou, tanto nas horas de festa como nos momentos de tristeza!

Ó Senhor, ajuda-me a mudar (sobretudo em mim mesmo) aquilo que deve ser mudado!

Ó Senhor, torna-me testemunha do teu perdão neste mundo!

Em Igreja caminhemos, hoje, pela Paixão de Cristo, de vitória em vitória, até à Ressurreição final.




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