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A Escola e a Família – o papel da Família (3)

No que concerne às competências do Director de Turma, basta recordar que, entre as suas atribuições, deve salientar-se a integração dos alunos nos grupos, o fomento do diálogo com os pais, a garantia da informação junto dos Encarregados de Educação e o atendimento aos mesmos sempre que necessário. Estas competências incidem essencialmente em duas áreas fundamentais: o relacionamento com os pais e o desenvolvimento pessoal e social dos alunos.

N/D
1 Abr 2004

Infelizmente, em muitas escolas não se promovem ligações frequentes com os pais, devido à tradição centralista e, por vezes, ao isolamento. Além disso, a formação de professores ainda é deficitária nesta área do envolvimento parental. Há que tornar a escola “num local” que esteja mais próximo dos pais e lhe seja mais acessível.

Temos também a consciência das inúmeras dificuldades que se deparam aos Directores de Turma e até aos próprios professores. É inegável que eles necessitam de horas disponíveis para a realização de trabalho continuado de comunicação com os pais. Deviam, por isso, ter uma redução maior na componente lectiva para receberem convenientemente os Encarregados de Educação. Faltam igualmente incentivos a uma prática mais consciente e responsável.

Esta situação é, em muitos casos, agravada pelas insuficiências logísticas, económicas e pedagógicas das escolas: estas têm dificuldade em disponibilizar espaços adequados e acolhedores para o atendimento dos Encarregados de Educação; os escassos recursos financeiros impedem o livre acesso ao telefone escolar e à criação de material de apoio suplementar; a forte desconfiança perante um maior envolvimento parental no processo educativo inibe e desencoraja qualquer iniciativa nesse sentido.

Por outro lado, também é verdade que muitos pais só contactam a escola quando são solicitados, quando os filhos têm problemas disciplinares ou para terem conhecimento exacto das classificações da avaliação periodal ou no final do ano. É evidente que esta situação se explica, na maioria dos casos, por falta de tempo livre para se deslocarem à escola (devido à profissão), a não ser fora do habitual tempo de trabalho, o que incompatibiliza os encontros.

Há ainda aqueles que apresentam alguma desconfiança ou preconceitos, dado que consideram que sabem pouco ou que as suas opiniões são de pouca valia ou receiam fazer má figura. Outros julgam não ser necessário ir à escola. Infelizmente, no reverso da “medalha”, muitos pais desvirtuam o seu papel ou o seu estatuto, criando a mentalidade de que devem reivindicar de qualquer modo (mesmo que seja através de um processo de “ameaça”, de “falta de respeito” e de “insulto”), ultrapassando as suas atribuições. Isto explica-se pela degradação dos costumes e dos princípios cívicos que grassa na nossa sociedade.

Continua nos próximos números




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