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O ensino e a educação

Estamos a viver um momento grave, como o da educação, com uma certa indiferença, com bastante facciosismo, com preocupações de efeitos políticos.

N/D
31 Mar 2004

São poucas as vozes que se referem ao declínio da educação, às ambições educativas e à política da educação.

Vemo-lo frequentemente em declarações de responsáveis e, sobretudo, no desinteresse pela educação séria, bem concebida e executada, e desejada por todos os que vêem os tempos que estamos a viver. Esta “doença” entrou nas escolas e nas famílias: nestas, porque preferem que os filhos vivam a época que os ocupa sem cuidar de os orientar num sentido objectivo, nobre, e criador de valores que, formando a pessoa, vigorem a família e construam uma sociedade desejada para o verdadeiro bem-estar moral, económico e social de todos, e, portanto, da sociedade.

Bem sabemos que o interesse financeiro preocupa os pais e educadores com maior influência do que a formação humana dos filhos e a sua presença activa na sociedade de que são membros.

O interesse económico invadiu os lares, e estes entregam-se ao lucro do trabalho em vez de amarem o trabalho e o sacrifício na educação dos seus filhos.

Por estes factos bem visíveis entre nós e no estrangeiro impressionou-nos vivamente esta afirmação de um psicólogo espanhol, Bernabé Tierno: «É preciso conseguir que pais e professores falem a mesma linguagem educativa».

Infelizmente, tal não sucede nem entre os professores nem com os pais: aqueles, infelizmente, preocupam-se com o ensino oficial e nem sempre o mesmo contém em si a conveniência da pedagogia educativa e os pais apelam para o trabalho diário profissional para se justificarem das suas ausências.

Acontece que nem todos, pais e professores, têm a formação condizente com estas obrigações que os leve a ter a mesma linguagem, o que leva Bernabé Tierno a dizer: «Se os pais não estão de acordo, pelo menos no fundamental, sabemos que as consequências são nefastas».

Este psicólogo analisa bem o problema. Acontece, porém, que, infelizmente, no geral, os pais nem estão preparados nem se esforçam para o conseguirem. Isto é o que vemos, às vezes, em órgãos de informação ou lemos nos mesmos. Esta educação acompanha, ou deve acompanhar, a criança nas diversas idades por que passa e por isso Bernabé Tierno faz estas recomendações:

– «Não podemos descuidar-nos e cada criança necessita que nos adaptemos à realidade cronológica e psicológica» e, portanto;

– «Não se pode improvisar sobre a marcha, porque cada criança é distinta dos demais”.

Fundamentalmente nestas verdades, faz a seguinte recomendação: «Ter presente que o fim da educação, de toda a acção educativa, não é outro senão tornar o ser humano capaz para que dê o melhor possível de si mesmo em seu próprio beneficio e em benefício dos demais, mas para ser feliz».

Lendo atentamente as palavras do psicólogo Bernabé Tierno, sentimos com mágoa que os responsáveis não dêem ambiente e preparação aos educadores para realizarem a sua tarefa com êxito pessoal, social e intelectual. E certamente que os pais são os responsáveis, pois o que pretendem é que os filhos tenham resultados positivos no plano escolar a fim de obterem a colocação que lhes garanta a vida financeira.

Acontece que, mesmo por este objectivo, as coisas não primam, como vai acontecendo referindo-nos aos que já estudaram, pois a educação nem sempre é respeitada, visto que, na actualidade, os alunos têm uma liberdade que fere a ordem, a autoridade e, portanto, a disciplina voluntariamente aceite que os torna conscientes do presente que vivem e do futuro que os espera.

O tema que hoje abordamos aqui deveria ser uma preocupação responsável de todos os que trabalham na educação: pais, empregados e professores. Acontece, porém, que as normas pedagógicas e os deveres dos alunos para com os seus professores nem sempre resultam, porque a liberdade sobrepõe-se muitas vezes à disciplina, e o professor, mesmo quando se impõe pela sua capacidade e conduta exemplar, não é respeitado pelo aluno.

A educação exige competência, mas exige também conhecimento profundo da função e da sua finalidade e os pais devem preparar os filhos para que respeitem sempre os que são incumbidos da sua preparação.

Liberdade, sim, mas também autoridade.




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