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779. Senhor Ministro da Educação:

1 Para que todos e de uma vez por todas entendam, falemos claro: o país tem professores a mais e, cada ano que passa, o problema agudiza-se. Em contrapartida, somos um país atrasado, subdesenvolvido. E, em relação aos demais parceiros da União Europeia, continuamos um povo de analfabetos!

N/D
31 Mar 2004

E isto redunda num tremendo paradoxo que, somente, a cabeça iluminada de alguns políticos parece compreender e aceitar. E mais: só em países terceiro-mundistas é que sobram os professores, pois o investimento em Educação não é prioritário e, em vez de livros e cultura, o que precisam é mesmo de ferramentas e pão!
Em países desenvolvidos e modernos, senhor Ministro, as políticas educativas não permitem que tal aconteça, porque, matematicamente, a solução é: mais professores igual a mais escolas abertas e como tal mais investimento na cultura, mais rápido desenvolvimento e crescimento.

2. Então, porque chegámos a esta situ-ção? Ou melhor, porque temos professores a mais? Das duas uma: ou somos um país do terceiro mundo, ou a política educativa está errada.

Sou, obviamente, pela segunda hipótese, embora a primeira não seja de todo desprezível e resulte na e da segunda. Depois, senhor Ministro, é evidente que com a fome de formação superior que deu aos professores (todos a quererem ser doutores) e as políticas igualitárias de sucesso e acesso à Educação, as escolas de formação de professores (e não só) proliferaram como cogumelos, o que tem sido mesmo um bom negócio para tais instituições e aproveita sobremaneira aos governos que vêem deste modo a juventude ocupada e o número de desempregados a diminuir.

Que fazer, então?

1.º Encerrar cursos e chamar os professores desempregados de novo às universidades, mas para serem reciclados e reconvertidos;

2.º Repensar e redimensionar a rede escolar, encerrando, se necessário, escolas, porque, seguramente, é melhor uma escola bem encerrada do que mal aberta;

3.º Colocar o processo pedagógico à frente do administrativo, o que não é apanágio de programas economicistas de governos tecnocráticos para quem o investimento em Educação e cultura não é prioritário;

4.º Rever as linhas mestras de organização e administração escolares de forma a que sejam incrementadas acções reformistas concernentes ao rácio professor/aluno, apoios educativos, currículos alternativos, reformulação de programas e de combate à iliteracia, abandono, absentismo e insucesso escolares.

E isto, senhor Ministro, a ver se ainda vamos a tempo de sair do buraco onde nos enfiou a demagogia de sucessivos Ministérios da Educação que, na formação de professores, sobrepuseram a quantidade à qualidade e, na organização e administração escolares, o processo administrativo ao pedagógico.

Ademais, capital humano e cultura até temos de sobra, só nos faltando a vontade política de o pôr a render!

PS – Uma sugestão: penso que muitos professores desempregados não se importam de, na área das suas residências, ir para escolas fazer qualquer coisa e de graça, desde que, no final do ano, lhes seja contado esse tempo para efeitos de concurso.

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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