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O sarkolazarisme diplomado e… petulante

Depois da massificação das escolas e universidades, hoje mais que nunca fala-se mais na formação de elites e dos cursos profissionais. Em vez de se atacar as causas e factores que levaram a um analfabetismo diplomado ou encartado, conseguido através de lutas pela isenção ou redução de propinas na universidade, sobretudo estatal, acessível a todos, assistimos a um proletariado académico, ou exportação de cérebros e que cérebros!… para o estrangeiro… talvez para África, para sarar e sanar as feridas que deixámos.

N/D
30 Mar 2004

Ainda bem, se tivéssemos sido educados no humanismo e nos ideais do serviço ao bem comum, ajudando como cooperantes, talvez até a limpar algumas minas que vendemos. Mas não.
Quase todos são professores e pedagogos dispostos a ensinar a nossa língua e história, que trucidámos, nos ensinaram a ter vergonha, sobretudo nos tempos pós-abrilinos, e lamentamos até que alguns dos nossos ex-colonizados prefiram outras línguas ou queiram ligar-se a países de culturas mais dominantes e com mais capacidade e peso do que nós…

Há dias reuniu-se algures um grupo de intelectuais de Angola e Moçambique. Fiquei espantado como falavam alemão, inglês, francês… e pouco português. Muito melhor que os nossos emigrantes, após 30 anos de residência nos países de acolhimento.

Verifica-se que todos procuram bons postos de trabalho, não se sujeitando a tarefas humildes de limpeza ou serviços nas fábricas. Querem mais… conhecem a informática. Têm ambições e aspiram a outros voos, onde possam rentabilizar os seus talentos. Mas o mercado de trabalho está muito difícil e as hipóteses de saída são muito escassas.

Seguiram o exemplo da antiga potência colonial, onde todos queriam ser “doutores”, com boas remunerações e férias, se possível “funcioná-rios”, alguns vendendo-se muito bem até como jogadores, explorando, por alto preço, os gostos de certos apaniguados, que pagam generosamente os seus lances e pontapés futebolísticos…

Já pensámos quanto despende o país para jogadores estrangeiros, que aí gastam o menos possível, e passeiam ou fazem férias, preferindo grandes capitais mundiais, marimbando-se para o “Portugal dos pequeninos”? Quando tomaremos consciência desta sangria nacional, num país que paga luxuosamente para vícios e manigâncias, e esquece as necessidades fundamentais ou mais elementares de um povo, com direito a melhores escolas e hospitais de qualidade?

Um jornal francês, sob a epígrafe “Portugal: naissance du sarkolazarisme… fesses et foetus”, fazendo-se eco em tom satírico de muitas das vaidades típicas da cidade alfacinha e do país da saudade, futebol, Fátima e folclore, e mesmo do aborto, tece considerações de sabor sarcástico, acutilante e truculento, zurzindo contra certo pendor pindérico, típico de certos políticos e “novo-riquismo”, que, para agradar a gregos e troianos, ou encobrir certas mazelas pessoais, sociais e morais, apresentam um discurso que mais parece o síndroma de um carácter bacoco, saloio e oportunista, que impinge ou se encobre em certos alarves, terçando armas de tradicionalismo ou progressismo, num país ainda com grande complexo de atraso, mas tenta vestir-se, calçar botas e usar traineiras de varinos, num modernismo em travesti, esquecendo caravelas, infringindo valores históricos, como denegrindo figuras que ensombram os seus faustos ou fastos, mas eivados de petulância e pergaminhos rotos, que fizeram glória efémera – hoje complexados pela pedofilia, peculato e xenofobia -, marginalizando até os seus emigrantes e não tendo vergonha de ter de racionalizar nas suas universidades, menos em futebol…

Quem lê fica mesmo siderado, com vómitos da megalomania nacional e da “inteligentsia” que temos, procurando ser modernos ou pseudo-modernos em técnicas de aborto, solidariedade e educação sexual, diagnosticadores de fetos, desde que não sejam russos ou ucranianos…

Já reflectimos bem na figura que se exporta e que os estrangeiros logo descobrem de relance ao confrontar certas ambições e ideologias envoltas em gostos pérfidos e de saloios?

Quem nos fez assim? Se foram as universidades, gostos e escolas paridas no após 25 de Abril, então fechemo-las, porque estão a denegrir a “facies” nacional e dêmo-nos a elites, se não queremos apenas as económicas das privadas, ou das eclesiásticas, que nos despertam o aguilhão da consciência, num país com uma Constituição que defende liberdade do ensino e de religião, mas com silêncios de complexos mudos ainda vigentes, a troco de hipotecas em surdina. Ou então, preparemo-nos para trolhas do futuro.

Será assim que se vencerão os novos desafios europeus num país que só esbanjou até agora?!




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