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Esclerose política galopante!

O terrorismo chegou para ficar ao nosso mundo e nada parece fazer com que esta maldição de alguns seres humanos acabe, deixe de fazer vítimas e desapareça de uma vez por todas.

N/D
30 Mar 2004

Esses dias onze que tanto têm aterrorizado o mundo, vêm-nos mostrar que o ser humano nem sempre é digno dessa mesma existência, e que a sua crueldade pode atingir proporções inimagináveis para a maioria daqueles que acreditam no significado de palavras como liberdade, democracia ou direitos do homem.

Aquilo que aconteceu em Madrid, bem como aquilo que aconteceu em Nova Iorque é a prova de que vale a pena fazermos algo, para que os nossos filhos e netos não venham um dia a passar pelo mesmo.

Há uns anos atrás, o fenómeno terrorismo era algo de distante e estranho para os povos ocidentais. Havia pequenos focos activos (como é o caso do IRA ou da ETA), mas que produziam ataques de uma dimensão bastante inferior aquilo que hoje podemos ver já bem perto de nós. Hoje o terrorismo invadiu o território europeu e o “velho continente” já sofreu na pele a ira deste fenómeno vergonhoso e imbecil dos nossos tempos.

Como é normal nestas situações, as reac-ções sucedem-se e os disparates parecem emergir em catadupa. Lembro-me de um qualquer dirigente partidário que aquando dos atentados em Madrid manifestou desde logo os seus pêsames ao candidato da sua cor, desprezando completamente a instituição que representa qualquer povo em democracia, ou seja, o governo ou o Rei. Claro que não se pode exigir muito de uma mente transtornada e desorientada, mas aconselho desde já o Dr. Ferro Rodrigues a estudar um pouco mais as instituições para se saber comportar dignamente em situações futuras.

Ocorre-me também a imagem de um político francês, cujo nome confesso não me lembrar, que se apressou a dizer que isto era o resultado inequívoco da guerra do Iraque e que a Espanha estava “a pagar a factura de um erro estratégico do seu primeiro-ministro e que, lembre-se, França não apoiou”.

Este senhor, assim como muitos outros, representam o típico político mau carácter que tentam logo tirar dividendos da desgraça dos outros, mesmo que o acontecimento em causa tenha dizimado vidas horas antes. Mas o pior de tudo isto é que cá em Portugal também houve umas mentes brilhantes que se associaram a esta tomada de posição, mentes essas que eu me escuso a comentar porque apenas envergonham o país e não merecem sequer menção pública.

Mas como em todas as festas, há sempre um bombo, ou por outra, uma palhaço que apenas vale mencionar porque de facto conseguiu dar uma tonalidade cómica a toda esta calamidade. Ora o palhaço de serviço desta feita foi uma mente completamente esclerosada que afirmou ser possível dialogar com os terroristas, como se as bombas falassem, ou como se fosse possível dialogar com alguém que usa as armas como único meio de comunicação. Desconheço as afinidades que tal mente tem com as armas, mas posso-lhe assegurar que por muito que queira elas não falam… acredite que é verdade!

O terrorismo é um acto cobarde e desonesto que não procura entendimentos ou diálogos, mas antes impor qualquer coisa pelo uso da força e da violência sobre pessoas inocentes. São indivíduos que não querem saber de direitos humanos ou outro valor qualquer na sociedade moderna, pois isso não lhes interessa na persecução dos seus objectivos que são, normalmente, ilegítimos e impraticáveis.
Contra tal fenómeno não se luta com medo e recuos, pois cada passo atrás é um sinal claro de avanço para o inimigo.

Aquilo que o novo Primeiro-Ministro espanhol fez, pelo menos no timing em que o fez, foi o mesmo que dizer a esses seres “façam o mesmo quando quiserem que a gente dá-vos o que quiserem”. Esta é uma atitude completamente irreflectida e cujas consequências poderão ir além fronteiras. Acima de tudo temos de ser inteligentes e frios para podermos analisar estas questões com a responsabilidade que elas exigem. Quem diz numa altura destas que se deve ceder às exigências de um atentado terrorista, não pode estar lúcido… ou então está apenas a querer retirar algum dividendo político ou pessoal.

Combatamos o terrorismo com a coragem e determinação dos povos que conquistaram direitos e liberdades e não abdicam delas sob hipótese alguma. Assim poderemos acreditar que este mal ainda possa ter remédio…




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