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Sintomas de maquiavelismo… hodierno

Nos últimos tempos temos sido confrontados com alguns sintomas de maquiavelismo, tanto nas questões sociais como pelos intervenientes políticos – no sentido original e amplo do termo – e ainda pelos factos nacionais e internacionais que se sucedem em catadupa.

N/D
29 Mar 2004

* Causou uma certa estranheza e bastante apreensão em certos sectores da so-ciedade portuguesa a opinião de Mário Soares sobre a conveniência em encetar conversações com o grupo ‘Al.qaeda’.

Este grupo de teor muçulmano mais radical tem protagonizado vários atentados contra interesses ocidentais. Por contraste com a sua campanha islâmica este grupo – apelidado de fundamentalista – tem causado alguma perturbação na dita ‘harmonia’ democrática de alguns países.

A lista dos atentados atribuídos e/ou reivindicados a este grupo já vai sendo razoável só neste século vinte e um: Estados Unidos da América (11 de Setembro de 2001: 2200 mortos), Indonésia (13 de Outubro de 2002: 202 mortos), Quénia (28 de Novembro de 2002: 17 mortos), Marrocos (16 de Maio de 2003: 57 mortos), Índia (25 de Agosto de 2003: 83 mortos), Turquia (15 e 28 de Novembro de 2003: 28 mortos), Espanha (11 de Março de 2004: 190 mortos)… Isto sem contar com os ‘santuários’ (conhecidos) das suas bases: Afeganistão, Iraque, Filipinas, Sudão, Arábia Saudita…

– Como é que alguém pode dialogar com grupos ‘terroristas’ sem rosto? Como se pode dar credibilidade – mesmo a quem faz tais acenos de conversações! – sem reconhecer (ao menos implicitamente) legitimidade à mortandade como arma de pressão? A quem interessa entrar na lógica de destruição? Até quando iremos suportar diatribes ‘políticas’ de tão mau gosto?

* Com a morte por atentado do xeque Ahmed Yassin, no dia 22 de Março passado, acentuou-se mais esse pólo de conflitos latentes que tem sido, desde meados do século anterior, a Palestina entre judeus e muçulmanos. Atentados, assassínios, guerras, pedras, mísseis… tudo tem servido para acicatar animosidade. ‘Terra santa’ para três religiões, a Palestina continua ao sabor de interesses estratégicos e jogos de poder à mistura com acusações, desconfianças e até traições. Por vezes os mesmos mentores do diálogo entre povos e culturas (noutros cenários) não conseguem manterem-se neutros nesta porção em disputa.

– Como é possível tomar posição – pró ou contra uns ou outros – só por mera afinidade ideológica?

Como é possível vender-se a uma das partes sem conhecer as razões teo-lógicas mais profundas dos contendores? Até onde irá a arrogância de perseguidos e perseguidores – tudo dependendo do ponto de partida de análise! – sem que todos possam/devam ceder mutuamente? Como se poderá entender o sionismo (mais do que o semitismo) se não em confronto com o islamismo?

* Causaram grande estrondo na comunicação social os números de que há, em Portugal, mais de duzentas mil pessoas a passar fome. A isto poderemos acrescentar que cerca de dois milhões de portugueses vivem abaixo do nível de pobreza, correspondendo a vinte por cento da população residente. Só quem não vive junto do povo é que ainda não tinha constatado esta realidade. Apesar de tudo vemos o acirrar de posições entre sindicatos da função pública e governo, sentimos a exploração de conflitos entre trabalhadores e empregadores – diga-se que temos poucos empresários entre nós! – exaltando-se essa nossa tendência de pessimismo colectivo.

– A quem interessa esta tortulhocracia reinante em Portugal? Até onde irá essa propensão miserabilista? Por teremos de ser tão atraídos pelo fúnebre, funesto e feio?

Acabada a ‘guerra fria’ ainda se nota muitos tiques de anti-qualquer coisa em muitas pessoas. O pior é esse maniqueísmo – tantas vezes com requinte de sabor maquiavélico! – que divide o mais íntimo de cada um de nós. Até onde irá a leitura negativa que fazemos dos outros? Só de um coração convertido poderemos aceitar novos sinais de boa harmonia, saudável convivência e verdadeira paz!




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