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Nótulas soltas da minha agenda

1 No dia 21 de Março, liturgicamente dedicado ao “Trânsito de S. Bento”, Pai e co-Padroeiro da Europa por vontade dos Papas.

N/D
29 Mar 2004

O Museu do Mosteiro de Tibães, sob a sábia orientação da sua Directora abriu as suas portas para uma belíssima exposição sobre a devoção a S. Bento – erudita e popular dos povos de Entre Douro e Minho. Tive o privilégio de, por mero acaso, ter participado naquele acto. Gostei. Gostei da “mostra”.
Gostei da visita guiada. Gostei de ouvir a Rusga de S. Vicente cantando os cânticos dos romeiros. Tenciono regressar para poder saborear melhor a riqueza exposta. “S. Benedictus/S. Bentinho” recorda-nos a importância social, cultural, espiritual e económica que têm tido ao longo de
mais dos 1400 anos os filhos espirituais de S. Bento.

Nunca é de mais salientar a extraordinária importância que tiveram, têm e terão os Mosteiros.

Um lamento a propósito: que tristeza a casa Mãe da Congregação portuguesa de
S. Bento ter sido fechada, os monges escorraçados, o espólio roubado e/ou delapidado. Ao Mosteiro falta-lhe a “alma”. A sua identidade. A razão para que foi construído está ausente: faltam-lhe os Monges! Falta-lhe a oração que de lá, por nós e para nós, era dirigida ao ritmo próprio monástico ao Deus da criação. Tenho pena.

2. O Jornal “Público” do dia 21, domingo, prestou um enorme serviço público, ao publicar um dossiê sobre a pobreza em Portugal. É um trabalho esmagador. Triste como as coisas tristes.

Não pode deixar ninguém indiferente. A começar por mim próprio. Deveria inquietar profundamente todos os decisores políticos, todos os agentes da pastoral profética e de serviço, todos os agentes económicos. Todos os cidadãos!

Como português e como cristão sinto-me incomodado de nunca mais ver que Portugal sai da cauda da Europa em tudo o que é progresso, bem-estar e justiça social.

3. As deslocalizações são o preço amargo da economia capitalista sem rosto que a globalização nos trouxe. Que fazer face a esta situação geradora de tanto mal?

4. O Governo, pela voz do Primeiro-Ministro, apresentou publica, formal e solenemente “100 Compromissos para uma Política da Família”. Espero que os verbos utilizados, muito vagos, sejam tornados muito mais concretos. As organizações familiares esperam e exigem mais apoios e não meras migalhas sobrantes, quando há migalhas. Concretizo. Por exemplo, sei que as associações de estudantes recebem do orçamento do Estado, todos os anos, muitas centenas de milhar de euros para as suas actividades. E muito bem. Mas para as actividades das organizações familiares ficam uns magríssimos euros. Vêm tarde. São poucos.

Estes “100 compromissos” precisam de ser concretizados todos. São boas intenções. Merecem o meu aplauso se forem levados a cabo. Caso contrário, “de boas intenções está o inferno cheio” e nós também!

5. A Conferência Episcopal divulgou um documento oportuno (só pecou por tardio, como já aqui o referi) – “Meditação sobre a vida”. Está a ser distribuído em diferentes comunidades. Já não é mau.

Mas é preciso ir mais longe, ser mais objectivo: urge ajudar as comunidades a reflectir sobre aquele documento. Corremos o risco de não ser bem lido e interpretado. Ou simplesmente arrumado. Não foi por isso que ele foi escrito. Os cristãos têm que se habituar a ler/reflectir para aplicar os documentos do Magistério. E aquele documento é muito importante para que tenha a sorte da maioria dos documentos: a maioria dos baptizados não os lê!

6. Tenho uma predilecção especial por Miguel Torga. Penso que foi o escritor português do século XX que melhor interpretou o sentir e o ser-se português.

Homem de esquerda, lúcido e sagaz, Torga é uma referência cultural lusitana.

Em 1975, em plena crise de identidade nacional, Torga, em resposta a Natália Correia escreveu “O silêncio dos melhores é cúmplice do alarido dos piores” (cf. Fogo Preso, 2.ª ed. pág. 95). Não receou salientar o papel das elites. Das elites “pensantes”. Como continua actual!…




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