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Chover no molhado (31)

Ao amor nada lhe falta. E o amor nada rejeita. Uma das grandes manifestações do seu poder é unir as diferenças sem que estas percam a sua independência. Contudo a autonomia das diferenças está sempre no amor.

N/D
28 Mar 2004

Ao amor não lhe falta a inteligência. E o que é a inteligência? Os psicólogos e os sociólogos afirmam que cada psicólogo, cada sociólogo e cada filósofo tem a sua maneira muito própria de a definir. E se não todos, pelo menos alguns dizem que o mais importante não é, propriamente, saber o que é a inteligência, mas sim conhecer a sua família.
Vamos, então a isso. Olha, se não nos servimos dos nossos sentidos, em ordem a uma rica observação, podemos, acaso, afirmar que temos uma boa inteligência sobre aquilo que escapou à nossa observação? a resposta é tua.

E que me dizes a respeito de uma observação muito vaga, muito vaga, muito superficial, alheia à concentração da atenção? Quantas vezes dizes tu: fui burro, porque não estive com atenção. Quantas vezes ouvimos dizer: abre bem os olhos e não durmas!

Estamos, como vês, na construção da percepção do nosso mundo. E podes tu pronunciar-te sobre aquilo que não memorizaste? Vou entregar-te agora, um texto sobre qualquer assunto e pedir-te que tires daí a ideia dominante.

Mas não conseguiste. Pois a tua mente não generalizou, nem relacionou. Manifestaste-te, aí, como inteligente? E se a imaginação criadora estiver adormecida? Não estará com ela adormecida também a inteligência? Qual é, então, para a inteligência, o peso de toda esta família?

Parece estar aqui: o crescimento da boa inteligência parece depender das boas maneiras com que tratamos, sem excepção, os seus familiares. E estas boas maneiras aprendem-se. E esta aprendizagem desliza, suavemente, pelos canais, entre outros, da semelhança, dos contrastes e contiguidades. Estamos, com isto, por dentro da inteligência académica.

E como o amor nada rejeita, abordemos, então, o significado de inteligência.

Entre múltiplos e complexos aspectos em que a inteligência está envolvida, alinhavemos apenas estes: a inteligência é o talento ou a capacidade que a pessoa tem:

– a) de aprender com as experiências;
– b) de se ajustar ao meio ambiente;
– c) de resolver os problemas da vida de maneira adequada, produtiva e independente;
– d) de conhecer; de compreender; de apreender relações; de analisar; de sintetizar; de avaliar.

Mas é também inteligente – e muito – a pessoa que evita levantar, desnecessariamente, problemas que vão atear o fogo dos conflitos, das discórdias sem solução e semear o terror miudinho não só em si mesmo, mas também no seio da sociedade, onde vive.

E a partir daqui, vou identificar, também, a inteligência como emocional e a inteligência como social.
Estas inteligências: a académica, a emocional e a social têm, entre si, um não sei quê de diferente, pois correm – e cada uma – por caminhos próprios, rumo à sua própria casa.

Porém, agora, uma inteligência mais alto se levanta. Ei-la: a inteligência do amor. A esta inteligência incumbe a missão de unificar as outras inteligências, implantando, entre elas, o equilíbrio, a harmonia, a coordenação e a cooperação.

E este amor inteligente, passando pela construção e actualização da pessoa em ordem à sua maturação e socialização; em ordem à sua saúde psíquica e eficácia na vida real, vai, então, como o correr do rio, desaguar no mar imenso do seu verdadeiro Amor. É, no fundo, o nosso amor profundo ao encontro do Amor de Deus.




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