Fotografia:
Comemorando qualquer coisa…

Habituei-me a dar valor a reuniões, almoços ou jantares de convívio; enfim, a tudo o que é motivo ou pretexto para reunir pessoas que têm algo em comum e desejam recordar factos do passado ou se juntam para um cavaquear entre amigos.

N/D
27 Mar 2004

É, afinal, também a necessidade que o homem sente de viver em comunidade, reatar amizades, conviver com pessoas que a vida dispersa pelas mais variadas regiões. Comemorar o 25 de Abril, o 1.º de Maio ou simplesmente o serviço militar, os tempos de estudantes, de trabalho ou desportivos são, certamente, actos de conteúdo e significado diferentes, mas todos com um simbolismo muito especial para os participantes.
Se o 25 de Abril é marco histórico numa viragem política que nos ofereceu a liberdade, o 1.º de Maio é reflexo da luta dos trabalhadores na defesa dos seus direitos e espelha o caminho da conquista e manutenção de condições dignas para o trabalhador. As restantes comemorações têm cariz de menor dimensão, mas não deixam de constituir, para os elementos participantes, um elo de amizade, uma ligação conjunta à volta duma mesma motivação que se torna simbólica e desenvolve no grupo um sentimento de união e força, que todos desejam manter através dos tempos.

Quando o mundo nos preocupa com notícias de confrontos políticos; quando os países se guerreiam, a fome e desespero atingem milhões de cidadãos no mundo, perdoem-me o egoísmo, mas comemorar em grupo actos ou situações do passado, reviver algo de comum, reunir pessoas que se estimam e consideram importante estar juntas, voltar a ver amigos e sentir a importância de estar presente, de comparecer é acto louvável e positivo. Neste tipo de comemoração não existe camisola de cor diferente que não seja respeitada, porque o objectivo não é político e reflecte apenas o sentir do homem, o seu desejo de participar e festejar, trocando opiniões e comentando ocorrências comuns, às vezes vividas em situações dramáticas.

Comemorando qualquer coisa não significa menosprezar essa “qualquer coisa”; antes pretende valorizar actos nobres e passados a partir da amizade que se pretende cimentar. São gestos que traduzem unidade e coerência, adesão a valores que devem sobrepor-se às diferenças de opinião ou às desigualdades sociais. Cativam e motivam o homem, fomentam e reforçam amizades, traduzem, afinal, a necessidade do homem, ser mais sociável e dedicado à comunidade. São valores que não se quantificam; sentem-se.




Notícias relacionadas


Scroll Up