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Em torno do ensino

Ultimamente tem surgido nos órgãos de informação alguns comentários, oportunos e necessários, para aclarar o presente e preparar, a sério, o futuro. Ainda bem, porque é fundamental para a vida e para a cultura.

N/D
24 Mar 2004

Entre nós, com o 25 de Abril, este problema, o do ensino, tem sido maltratado, e este estudo não tem respeitado nem o mesmo ensino nem a história do mesmo.
O general Silva Cardoso, em artigo publicado no semanário “O Diabo”, aborda o problema e escreve: «Aquando da reformulação do estudo dos Lusíadas no âmbito do secundário o professor Sousa Franco afirmou num artigo de opinião publicado na “Visão” de que hoje se aprende na Faculdade aquilo que, no antigamente, já se sabia no final da Escola Primária. Este é o grande problema. Um edifício sem alicerces, sem bases sólidas, jamais dará qualquer garantia de segurança nas suas estruturas. Este é o grande problema herdado do 25 de Abril ou que surgiu na sua sequência».

É opinião demasiado generalizada esta: a de que o ensino foi seriamente ferido com a revolução de Abril. As nomeações para os cargos foram feitas por elementos da esquerda, a esquerda comunista, que imperava nessa altura. O general Silva Cardoso di-lo com esta clareza: «Os comunistas, que, com o conluio de muitos, iam moldando o futuro do país, lá sabiam o porquê deste tipo de nomeações». E cita dois ministros: os majores Emílio da Silva e Vítor Alves.

O general Silva Cardoso acha a crise tão grave que não acredita que «a crise no ensino secundário, como tantas outras que se instalaram em Portugal, atingiu já muitos graus de gravidade que não serão nem comissões de sábios nem ministros que as resolverão». E continua: «O País está cheio desses cancros que foram inoculados em 74-75 pelos revolucionários marxistas, muitos deles para calar consciências sob o manto diáfano da democracia».

Entre nós, não se dá o registo devido a análises críticas desta natureza e, com enorme frequência, assistimos ao silêncio covarde e oportunista.

O general Silva Cardoso decidiu falar por escrito e fê-lo para esclarecer Freitas do Amaral, que escrevera um artigo sobre a “Crise do Ensino Secundário”. E faz-lhe no final do seu artigo esta recomendação: «Não se meta em questões demasiado sérias para o futuro deste nosso Portugal… Se tiver a coragem de o fazer aqui fica o meu obrigado, não em nome dos saudosistas do passado, mas dos portugueses que conhecem e respeitam a História».

O general Silva Cardoso prende o analista e crítico à História, o que infelizmente hoje não acontece com frequência.

Os críticos, como se depreende pela informação que nos dá dos homens que se apoderaram do poder com a revolução ou não se debruçam sobre o factor para os verem e estudarem à luz da História, mas para os verem com os seus olhos batidos pelos acontecimentos da actualidade, que as despojam dessa realidade. A sua política, a sua visão deformada pela mesma e não construída pela história objectiva, verdadeira, é que os comanda.

A paixão política, e esta facciosa, é cultivada, ou pelo menos aproveitada, pelos que desejam impor a sua visão política deformada conscientemente. Oxalá o ensino se preocupe, no campo da História, com os factos e as análises à luz dos tempos que iluminaram.

Os órgãos de informação não se preocupam com esta realidade, prejudicando gravemente a informação e a vida social.

Temos de nos voltar para as grandes realidades sociais, políticas, económicas, e apresentá-las com independência face às correntes políticas com que pretendem dominar-nos.

Esta exigência moral e intelectual sobrepõe-se às habilidades políticas, aos interesses financeiros: ver e estudar os problemas à luz da História na época em que surgiram e nas consequências que tiveram na vida dos povos.

Isto opõe-se ao gesto dos que, porque filiados num partido, este se sobrepõe no que diz e faz a tudo e a todos.

É um trabalho que se impõe a cada pessoa no sentido de bem servir os povos, o seu presente e o seu futuro.




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