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778. Senhor Primeiro-Ministro:

1 Que lições devemos retirar do 11 de Março em Espanha? Pelo menos, duas. A primeira, a de que em política as meias-verdades, a mentira, a simulação, o embuste pagam-se caro; a segunda, a de que o terrorismo já vence eleições.

N/D
24 Mar 2004

José Maria Aznar não devia ter mentido aos eleitores sobre a origem do atentado criminoso. Devia, sim, assumir a luta contra ele, sem quartel nem tréguas.

Mesmo que perdesse as eleições perdia-as por uma boa causa. Assim, perdeu-as por uma má causa e ficará, na história, sempre ligado à carnificina do 11 de Março!

Todavia, uma insólita e terrífica ameaça paira sobre as democracias: o terrorismo mais do que impor a lei do medo e da chacina, impõe a lei das urnas, ganha eleições!

Não tenhamos ilusões, senhor Primeiro-Ministro, não foi o PSOE de Zapatero que ganhou nas urnas.

Foi Bin Laden e a sua política de terror e massacre! Em Espanha venceu o terrorismo, não o socialismo! Não venceu a democracia, mas o totalitarismo!

E isto dá que pensar! Dá que temer!

2. Voltando a casa, senhor Primeiro-Ministro, estas duas trágicas lições de Espanha devem servir-nos de aviso para o futuro. Estamos empenhados, no Iraque, na luta contra o terrorismo global e nele devemos permanecer, e sempre em defesa dos valores da liberdade e da democracia.

Zapatero, ao dizer que vai retirar as tropas espanholas do Iraque, cede ao terrorismo e não é digno da vitória eleitoral que lhe caiu nos braços da pior forma: através do sangue de vítimas inocentes! Se o atentado não tivesse ocorrido, Zapatero não era Primeiro-Ministro.

Entretanto, por cá, Mário Soares vai declarando que se deve dialogar, negociar com o terrorismo! Isto não será dar uma mãozinha à Al-Qaeda? Depois, dialogar ou negociar com quem ou o quê? O terrorismo da Al-Qaeda não tem rosto ou tem o rosto de um Bin Laden encurralado que nada comanda, nem controla.

Este é um terrorismo fundamentalista e totalitário que só pretende destruir os valores ocidentais. A nossa cultura e identidade! Não há, pois, com quem, nem o quê, dialogar ou negociar!

Por isso, Mário Soares não devia ter dito o que disse. Porque, mesmo em democracia, a liberdade de expressão tem limites, mormente quando estão em causa a soberania e unidade nacional! Em vez de cerrar fileiras com o Presidente da República, o Governo e a oposição democrática contra as forças do mal, optou pela capitulação perigosa e inusitada. Que só se compreende por uma ânsia desmedida em remar contra a maré e procurar, assim, protagonismo!

Agora, senhor Primeiro-Ministro, e em resumo, que a dolorosa e mártir lição de Espanha seja sempre a de que, em política, a mentira, as meias-verdades, a simulação e o embuste não compensam e podem transformar em votos o terror e o medo! Podem ser mesmo uma forma moderna de ganhar eleições!

Aprendamos a lição, porque não queremos, de modo algum, vir a ser a Espanha do 11 de Março!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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