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Nótulas soltas da minha agenda

1 A chacina de Madrid foi um horror. Um horror premeditado. Um horror inserido numa estratégia: o confronto de civilizações e de mundividências. A democracia está ameaçada. Como ameaçados estão os nossos direitos fundamentais. Face a esta “guerra não convencional” de homens sem rosto, não pode haver cedências. Ceder é já estar a perder. Receio que a Europa e a cultura ocidental tenham começado a ser derrotadas com a atitude prometida do futuro Primeiro-ministro espanhol.

N/D
22 Mar 2004

2. Mário Soares disse que o diálogo era o remédio para o terrorismo. Deu um mau exemplo: o chamado “diálogo” com os movimentos da Guiné, Angola e Moçambique, para se conseguir a independência daqueles territórios. Não houve, como nos recordamos, diálogo. Houve cedência total e incondicional. Não foram salvaguardados os direitos fundamentais nem de brancos nem de negros.
Recordo, por exemplo, a matança dos fulas na Guiné. O que aconteceu em 1974 e 75 foi a entrega pura e simples dos territórios que referi a movimentos comunistas bem determinados. Deste “diálogo” nasceram terríveis e devastadoras guerras civis que duraram décadas.

3. O Primeiro-ministro português vai apresentar hoje no país, em Lisboa, no Teatro D. Maria II, o programa para as famílias no décimo aniversário do Ano Internacional da Família. Aguardo com grande expectativa a comunicação. Espero que não sejam anunciadas manifestações de puro espectáculo. As famílias estão cansadas de ruído.

As organizações familiares precisam de apoios reais e concretos. A sua actividade não pode ser estrangulada em pleno circo. E o que tem sucedido é isso mesmo, dão-se migalhas (migalhinhas!) que para pouco dão! Por isso aguardo a comunicação do Primeiro-ministro, esperando que não desiluda as organizações familiares ousando anunciar políticas corajosas e proactivas em defesa da vida e das famílias, sem receios! Se tivesse acesso ao Primeiro-ministro, dir-lhe-ia: «Ouse defender o futuro da humanidade! Proteja e apoie as famílias!»

4. Pedro Strech, no “Público” do dia 18, preparando o Dia do Pai, escreveu um belíssimo e actual artigo sobre a importância da figura do Pai. Permitam-me que transcreva e sublinhe o último parágrafo: «Por isso é que vale a pena reflectir. E compreender que, para qualquer criança ou adolescente, pai há só um. E esse tem de existir no seu pensamento, tal como no seu coração, escrito a letras bem grandes de um azul que deixe marca. Um esteiro. Caminhos por onde possa seguir, descobrir, partir, regressar, sempre que as voltas da vida assim o determinem».

5. Sou um leitor viciado. Gosto muito de ler. Sempre gostei. Leio em todo o sítio lá de casa. Até na casa de banho. Não me canso de ler. Agora estou a deleitar-me com Torga – “Rua” -, uma colectânea de contos tristemente bonitos. Que prazer dá a boa escrita! Este é o livro do meu sofá. Na mesinha de cabeceira “ando a tombos” com as Cartas que a 3.ª Condessa de Rio Maior escreveu aos seus filhos, prefaciados por Filomena Mónica e editadas pela Quetzal. Que prazer, também, ler estas memórias de meados do século XIX. E que actualidade!




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