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Outro ponto de vista…

O atentado terrorista em Madrid, inqualificável, mas, acto bárbaro, cobarde e assassino provocou, para lá da morte e destruição gratuita e indiscriminada, uma inesperada mudança política.

N/D
19 Mar 2004

Se a pouco mais de vinte e quatro horas do escrutínio era dada como certa a vitória do PP, no domingo, os eleitores aparentemente de forma não prevista concederam ao PSOE a possibilidade de governar.
Estranha esta mudança, na medida em que de forma irracional, condicionada pelos acontecimentos da quinta-feira sangrenta e pela desastrosa gestão política, os espanhóis permitiram-se “cambiar” sem terem razões objectivas de mudança.

Mas mudaram e substantivamente.

O governo de Aznar, que cometeu a proeza de colocar a Espanha entre os países com uma economia saudável, registando mesmo um “superavit” nas contas públicas, não soube perceber que a mentira é sempre má conselheira.

Os povos não gostam de ser enganados, pelo menos de forma tão grosseira, manifestando às vezes de forma injusta o seu descontentamento.

O Partido Popular perde as eleições por razões irracionais, muito embora seja necessário tentar perceber como actos terroristas podem condicionar as nossas acções.

À primeira vista parece que os homens do terror alcançaram os seus objectivos, até porque Zapatero, de forma solene, declarou que a Espanha vai retirar-se da coligação que derrotou o regime sanguinário de Saddam Hussein e isto é um mau prenúncio. Cheira mesmo a rendição!

Não se combate o terrorismo com cedências, mas sim com vontades inabaláveis, com convicções.
Não podem ser as bombas o elemento condicionador da vivência humana.

A nossa razão assenta no respeito pela vida humana, no respeito pelo outro. Acreditamos que o mundo pode ser melhor, mas nunca cedendo a quem tem da vida alheia uma noção como aquela que os homens do terror indiscriminado manifestam.

Por isso, também acho que a Espanha foi duplamente martirizada.




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