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Foi um sim ou um não ao terrorismo?

Esperamos que o resultado saído das urnas, em Espanha, nas eleições do passado domingo, não tenha sido influenciado pelo bárbaro e brutal ataque bombista aos comboios da morte que transportavam, na hora de ponta, vítimas inocentes no passado dia 11 de Março.

N/D
19 Mar 2004

Mais um dia 11 negro a ficar na História pelos piores motivos. E o mundo continua a arder! E não me falem em fundamentalismo religioso, mas sim na ambição desmedida de líderes totalitários que vêem no sistema democrático a eliminação dos seus privilégios. Dêem voz ao seu povo e ver-se-á logo como as mulheres descobrem as caras, e até algo mais, sem receio de irem para o Inferno.
Foi um abominável massacre onde pais perderam filhos, filhos perderam pais e pais e filhos perderam a vida, irmãos que perderam irmãos, viúvos e viúvas que não o eram momentos antes de entregarem a alma a Deus criador do universo. Contudo, se o cartão vermelho mostrado a Aznar o foi pelo facto de se ter envolvido na guerra do Iraque, então teríamos infelizmente de concluir que o terrorismo também compensa. E isso, se aconteceu, foi um erro crasso.

Não pode haver cedências ao terrorismo, seja ele interno ou externo. O terrorismo não tem fronteiras. Nem se deve atribuir o atentado ao facto da Espanha ter enviado tropas para o Iraque. O 11 de Setembro aconteceu antes da guerra do Iraque. E a França, já depois do 11 de Março, se vem queixando de credíveis ameaças, apesar de ter estado contra o envio de tropas, e, por isso, não ter enviado para lá sequer um soldado. Daí concluir-se que o terrorismo é pura e simplesmente contra os países que vivem em democracia.

Não contra este ou aquele país em concreto. Ceder ao terrorismo é tentar matar a sede com água salgada. Quanto mais cedências mais ameaças seguidas de possível concretização. Nem é pelo facto da ETA não estar envolvida directa ou indirectamente nesse execrando atentado que esta abominável e assassina organização deva beneficiar de quaisquer atenuantes com relação às 800 vítimas destroçadas desde que iniciou a sua terrorista luta com vista à fragmentação de uma grande nação, internacionalmente acreditada. Nada de confiar, tenha ela ou não operado juntamente com o movimento terrorista da Al-Qaeda. Também não estou nada incomodado que o PSOE volte ao Palácio de Moncloa.

Felizmente que em democracia funciona a básica regra da alternância do poder. E, na esteira de muitos analistas, entendo que os cidadãos perdoem muito aos políticos, a começar pelas promessas não cumpridas. Mas, cuidado, nunca perdoam a quem os engane, ou a quem lhes esconda a verdade.

Se houve, como parece ter havido, manipulação de informação, se, na verdade, intencionalmente foram ocultadas informações credíveis da origem dos atentados, com o fim exclusivo de manter a tendência, antes registada através de várias sondagens, do voto a favor do governo cessante, não era de esperar outra coisa que não fosse o resvalar para o outro lado de um considerado número de votos e deputados.

Impõe-se um endurecimento universal, mas democrático, contra esse flagelo do nosso tempo. Um governo de um país, por muito poderoso que seja, não pode, hoje, sozinho, fazer frente ao terrorismo interno. E já vão sendo horas de pôr de parte a tendência de atribuir todos os males à guerra do Iraque. Bem pelo contrário, foi ali que, em larga escala, se deu continuidade ao combate, agora internacionalmente organizado, contra essa clamorosa arma que faz vítimas só porque estas vivem ou viviam num país que escolhera viver em liberdade. Já em 1998, um vídeo de Osama Bin Laden proclamava aos quatros ventos que a sua luta era contra os infiéis do Ocidente.

Certo é que não podemos menosprezar o inimigo, mas, agora, vou ficando convencido que Bin Laden está já cercado, e mais dia menos dia terá o destino de Saddam Hussein. E se isso não pode significar logo o fim do terrorismo, não é menos verdade que ele fica muito fragilizado. A razão é como o azeite, há-de acabar por vir ao de cima. A História está cheia de registos de loucos ditadores que ameaçaram o mundo, mas que acabaram por ser subjugados, ficando na História apenas como exemplo de asquerosos monstros.

Só é de lamentar que o rasto por si deixado tenha sido de vítimas inocentes e perda de bens que redundam sempre em atraso da economia de países que recomeçam, tantas vezes, dos escombros. Posto isto, esperemos que a Espanha continue a ser um bom exemplo dentro da União Europeia, prosseguindo no bom caminho, com défice zero, crescimento acima da média europeia (2,4 por cento, em 2003) e com a inflação abaixo dos três por cento.

Que o socialista Rodrigues Zapatero, que é um bom pescador de trutas e gosta de dar umas caminhadas, mas não é corredor de fundo, esteja à altura da responsabilidade dos compromissos assumidos pela Espanha, dentro da Comunidade Europeia. Que se afirme sem tibieza contra o terrorismo, não receando vir a ser penalizado, no futuro, à boca das urnas. Acima do interesse partidário está, tem de estar, o interesse nacional. Não necessitava de tanta pressa em afirmar que vai retirar os militares que estão no Iraque.

Se já o tinha dito na campanha eleitoral para quê lançar a confusão, para quê pôr contra si todos os países que se vêm empenhando na reconstrução do Iraque e na devolução ao povo da sua soberania? Por vezes, estar calado é melhor do que falar demais. Talvez, por isso, a oposição ao futuro governo já vai perguntando se quem vai governar a Espanha vai ser Zapatero ou Osama Bin Laden.




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