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Religião e Política

Vivemos um período grave da vida política, social e pessoal em que não se tem para com a religião e a sua presença viva nas sociedades, nem o respeito devido nem a atenção à verdade dos factos.

N/D
17 Mar 2004

O Santo Padre, ao receber os bispos das Províncias eclesiásticas de Montpellier e Toulouse, disse que a descristianização é o maior desafio que a Igreja Católica enfrenta em França.

Sendo as referências que na actividade se fazem desta mesma natureza, verifica-se que a crise existe e tenta avançar.

Por isso, o Santo Padre disse aos Bispos que a «descristianização é o maior desafio».

Bispos de outros países, como a Itália, não escondem essa grave realidade religiosa, que cresce no mundo de hoje.

O Santo Padre reconheceu que a situação em França é «particularmente alarmante». Tem havido reacções, até de políticos, ao facto que se regista na Europa.

José Maria Aznar, enquanto presidente do Governo de Espanha, disse que o preâmbulo da Constituição Europeia devia conter uma referência à herança cristã da Europa.

O italiano Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia, fez esta afirmação objectiva: «A história da Europa e a história do Cristianismo estão indissoluvelmente unidas».

Este problema bastante divulgado politicamente e socialmente em toda a Europa tem sido visto, apenas, no campo histórico e não na influência que teve na vida do Velho Continente.

Por isso, talvez, o Ateneu Pontifício “Regina Apostolorum”, o Conselho Pontifício Justiça e Paz e a Fundação Guili esforçaram-se por criar um debate que levasse a uma definição sobre a natureza da Europa. E nele deram primazia aos valores que compõem a União Europeia.

A eurodeputada da União Democrática da Catalunha, Concepción Ferrer, preferiu a defesa dos valores da dignidade humana, igualdade, solidariedade e respeito à criação frente aos valores imperantes do pragmatismo técnico e económico. E acrescentou: «A Europa não se vai construir sobre a base do medo ao terrorismo, à desaceleração económica, etc., mas sobre os cimentos de grandes ideais». É um comentário oportuno, que obriga a ver e rever a história da Velha Europa e sobre ela construir o futuro do Velho Continente. Estamos numa fase da vida histórica em que se prefere ver o movimento político ou social através das realidades actuais sociais ou através da ideologia ou, apenas, do facto histórico em si, sem o ver, estudar e analisar em plenitude temporal e social.

São vários os que se têm pronunciado sobre este tema e advogam como existente mas, apenas, na sua existência histórica e não na sua constituição que envolve ideias, doutrinas, épocas e vivência cultural.

Talvez por isso é que se não tem estudado este problema importante no plano histórico, sem dúvida, mas sobretudo na vida e actividade dos povos. Curioso registar-se que nos mesmos dias em análise se procura estudar a vida religiosa da população e se registam factos surpreendentes. Numa dessas análises verificou-se, numa grande diocese da Itália, que as raparigas preferiam a solenidade do casamento religioso ao casamento civil, mas depois não viviam de acordo com a posição tomada no casamento religioso.

Os tempos que estamos a viver, no plano social e político, a quebra do convívio familiar devido ao emprego sazonal do país, a vida social deformada com a perda dos valores morais, a ausência da responsabilidade consciente face aos problemas com que deparam tudo isto concorre para a vivência hodierna longe ou mesmo completamente fora da moral e da responsabilidade.

O momento que vivemos é grave. Os responsáveis pela educação, pais e pedagogos, nem sempre estão atentos a esta trágica realidade pelo que não a enfrentam com a devida responsabilidade.

Se os educadores estiverem desatentos e fugirem às responsabilidades o futuro que nos espera não será risonho.




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