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Segundo Congresso Europeu de Famílias Numerosas

No próximo dia 27 de Março, Sábado, realiza-se em Lisboa, nas instalações da Fundação Gulbenkian, o II Congresso Europeu de Famílias Numerosas, de que, certamente, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas é anfitriã e organizadora.

N/D
16 Mar 2004

Acabrunhados, há pouco, pela carnificina horrorosa de Madrid, iniciativas como esta surgem, no horizonte ensombrado, como afirmação de esperança no nosso futuro, concretizado naquele conjunto de famílias que ainda acredita que vale a pena gerar descendência com naturalidade, numa atitude de confiança por uma faceta generosa e salutar do homem: ser capaz de formar um lar fértil, ver nascer os filhos, educá-los e criá-los num ambiente de amor e de carinho, que só uma família bem constituída pode proporcionar. E, certamente, não acreditando nos profetas da desgraça do nosso mundo coetâneo, que vêem na geração da prole uma espécie de doença dum casal, como se a natureza e a própria ecologia não lhes ensinassem exactamente o contrário.

Já há autores que consideram que o mundo da contracepção a todo o custo, que caracterizou os últimos trinta anos, sobretudo a Velha Europa, está a provocar uma verdadeira catástrofe humano-ecológica. Efectivamente, parece que os casais deste Continente são impotentes para conseguirem, ao menos, um mínimo de natalidade que seja capaz de repor as gerações.

Por isso, prevê-se que os italianos, os franceses e os outros países europeus, a manterem os níveis natalistas actuais, morram por inanição. Ao mesmo tempo dão lugar, nas suas próprias terras, a uma sociedade crescentemente diversa. Nelas nascem com mais fertilidade os filhos dos emigrantes de outras nações e culturas, que se acabarão por sobrepor àquela que os recebeu, tantas vezes dum modo sobranceiro e até hostil.

As famílias numerosas, no nosso país, embora esquecidas nos seus direitos e na sua benemerência, são responsáveis por cerca de 27 por cento dos nascimentos que ainda nos falam da virilidade e da feminilidade procriadora dos pais e das mães que acreditam e respeitam as leis da natureza humana.

Encontrando-se o nosso país bastante abaixo da linha de água da desejável natalidade, merecem, pela sua confiança no porvir e pela sua fecundidade, o apreço de quem crê que vale a pena pensar no futuro da nossa sociedade, que se encontra inquinado pela esterilidade ou pouca fertilidade da grande maioria dos casais nacionais.

Estes só querem ter um filho, quando muito dois… para ver se sai de sexo diferente do primeiro.

Vivem depois angustiados com as suas carreiras profissionais, as dificuldades de ocuparem a descendência duma forma útil, que, aliás, sabem habitualmente fazê-lo mal e de maneira desajeitada, porque lhes falta aquilo que uma concepção ecológica da vida de um casal ensina: a geração de vários filhos não é um problema patológico ou negativo, mas a situação normal para os pais poderem educar a sua prole duma maneira natural e não receosa, mimalha, amaneirada, complexa ou super-proteccionista.

Dar irmãos aos filhos é o que a natureza provoca, na vida matrimonial, na maioria dos casos. Sendo o homem um ser sociável, a primeira escola de sociabilidade nasce com essas famílias. Aí, se cabe aos pais a responsabilidade de educarem os filhos, também estes o fazem reciprocamente entre si e quanto aprendem uns e outros com as vicissitudes próprias de um lar onde se vão instalando idades diferentes, que requerem uma resposta diversificada e imaginativa para as circunstâncias que se apresentam.

Não há muito tempo, tive oportunidade de conversar com o pai de uma família numerosa: uma equipa de filhos, todos seguidos. Fui com ela a um restaurante – o que não acontece muitas vezes por razões óbvias de economia. O espanto generalizou-se a toda a sala. Houve cochichos e comentários.

Alguns torpes. Mas aos que se aproximavam e tinham a coragem de perguntar ao casal se eram «todos seus», ao que ele ou ela respondiam pela afirmativa, mostravam, imediatamente, os seus desejos e a sua mágoa por não terem uma família parecida. Houve até uma senhora que se sentiu na obrigação espontânea de dar ao pai tantas razões pelo facto de a sua prole não ser mais robusta, que o meu amigo não pôde deixar de lhe dizer: «Por favor, minha senhora, não tem por que se desculpar… Eu não lhe perguntei nada!»

Felicitemos a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas por este congresso e desejemos-lhe as maiores felicidades. E, meus amigos, se quiserem lá ir: a partir das 9h30, de Domingo, 27 de Março, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, terão o abraço aberto de alguns dos nossos concidadãos que, apesar de serem poucos, têm sabido acolher, com generosidade, 27 por cento das crianças que nascem todos os anos neste país tão carente de sangue novo. São verdadeiros beneméritos!




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