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A Escola e a Família – o papel da Família (1)

A Família, como núcleo primário e forma básica da estrutura social, continua a despertar o mais vivo interesse de todos os quadrantes das ciências humanas, sociais, políticas e económicas. Insiste-se, aliás, que o futuro social dependerá sempre, em grande parte, justamente da valorização que se atribuir à família e do papel que esta desempenhar. O futuro da geração actual e da vindoura depende do modo como os cônjuges e as comunidades humanas se entenderem com esta instituição nuclear mais antiga de todas.

N/D
16 Mar 2004

Assim sendo, a relação da família com a escola é uma vertente essencial e insubstituível para a formação integral, equilibrada e harmoniosa dos filhos/alunos ao longo do percurso escolar.
Parece-nos pertinente iniciar este tema com o seu enquadramento no âmbito da Sociologia da Educação, dado que a referida relação ultrapassa os casos particulares que se verificam na prática pedagógica. Sem dúvida, é conveniente procurar nas teorias sociológicas a exemplificação para as dificuldades encontradas na relação escola-pais, bem como relacionar o envolvimento dos pais na escola com o sucesso na aprendizagem e apontar os benefícios e as dificuldades desse mesmo envolvimento.

A relação escola-família, como diz Pedro Silva, é «fértil em aparências e ilusões». Por isso, em nosso entender, torna-se importante que a Sociologia ponha em evidência não só os fenómenos visíveis, mas também aqueles que, aparentemente, estão ausentes.

Na realidade, o estreitamento desta relação é objecto de consenso, resultando de uma transformação estrutural da sociedade e de uma nova ideia de “escola”. Apesar disso, no entanto, ela reveste-se de uma grande complexidade.

Com efeito, esta relação acaba por engendrar-se num campo relacional de, geralmente, bem diferentes capitais culturais. A escola, por vezes, não valoriza o conhecimento socialmente útil, mas, sobretudo, aquele que é socialmente dominante, veiculando e legitimando o capital cultural da classe social que domina. Logo, a escola nem sempre valoriza só as formas de conhecimento socialmente úteis, mas também algumas inúteis através do currículo, sobretudo, académico e nacional, teórico, privilegiando um saber “erudito”. Daí que jamais possamos encarar a escola como instituição aparentemente neutra.

Continua nos próximos números




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