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Nótulas soltas da minha agenda

1Não vi os folhetos polémicos que teriam sido distribuídos aquando da recente discussão sobre o Aborto. Parece, ao que li, que não seriam nem o ideal e nem o correcto. É pena.

N/D
15 Mar 2004

Contudo, também não são minimamente aceitáveis as mentiras que os defensores do Aborto sempre invocam.

Aos defensores da vida Humana, que logicamente estão contra o Aborto, basta-lhes a verdade da Biologia: o ovo é a primeira forma pela qual começamos a existir e é, por isso, a primeira das muitas etapas do seu desenvolvimento que só a morte pode suster. A vida humana é um continuum. Nela não há saltos nem vazios!

2. Em 1998, por ocasião do referendo sobre o Aborto, o Diário do Minho publicou um livro, de que sou autor, chamado “A Aventura Humana”. Este é um repositório de um conjunto de artigos que publiquei sobre o tema. Neste pequeno contributo que dei para a defesa da vida humana, desde a concepção, indiquei algumas pistas de intervenção a favor de uma cultura da vida.

Ao tomar conhecimento da posição dos Bispos portugueses, na Nota Pastoral “Meditações sobre a vida” (que pecou por tardia, já que os fiéis precisavam de uma orientação atempada e que surgisse no momento exacto em que se (re)fazia o debate sobre o Aborto. Recordo, a propósito, o que me dizia um presbítero da nossa Diocese: “Era bom recebermos orientações…”) decidi pegar no dito livro e dele respigo o resto destas Nótulas.

3. Promover a beleza da vida. De toda a vida e dos mecanismos bioquímicos, genéticos, psíquicos, so-ciais, espirituais e outros que dão sentido à vida. Perdemos muito tempo a estudar/ensinar os processos biológicos como se tratassem de mecanismos exclusivamente técnicos, frios e inanimados (sem alma!). Deixamos de contemplar a vida e urge voltar a admirar uma flor, um sorriso de um bebé ou a expressão enrugada da face de um velho… É bom que se compreenda o porquê de uma flor, da sua arquitectura, do seu cheiro e da sua cor. É bom que saibamos explicar o sorriso de um bebé e as rugas de um velho. Mas não chega. Precisaremos de reencontrar a poesia de uma flor, do sorriso de uma criança e das rugas de um velho. Deveríamos, talvez, dedicar mais tempo à contemplação do visível para chegarmos ao essencial: ao Invisível.

A vida, e mormente a vida humana, é digna de admiração profunda.

A raiva contra a vida humana que hoje domina tantos corações deriva da indisponibilidade que se tem demonstrado de nos encantarmos com a vida e as suas manifestações.

4. Promover o sentido de acolhimento à vida, sobretudo à vida humana. No caso da AVENTURA HUMANA esse sentimento de acolhimento do outro leva-nos a deixar de lado as atitudes de domínio sobre outros, da sua exploração ou da sua eliminação quando tal convém. Promovendo a Cultura do Acolhimento, promove-se o amor que é Alteridade e não domínio e o amor é acolhimento.

5. Promover a formação integral e integrada de todos os homens, preparando-os para a solidariedade, tolerância, respeito mútuo e doação aos outros.

6. Disponibilizar Centros de Aconselhamento Familiar com pessoas qualificadas, do ponto de vista humano e científico. Estes centros deverão ajudar a preparar os jovens para a constituição da Família (preparação remota e próxima) e apoiar aqueles que já constituíram a sua Família.

7. Divulgar os serviços e instituições que apoiam as Mães/Famílias em situações de crise, dificuldade ou desespero perante problemas mais ou menos graves que atingem aquelas (gravidez inesperada ou difícil; filhos deficientes; abandono; irresponsabilidade parental, etc).

8. Promover nos mass média a cultura da vida, difundido a verdade e a beleza da AVENTURA HUMANA e, sobretudo, a sua imensa dignidade.

9. Denunciar sem medo todas as tentativas que visem destruir a vida humana, qualquer que seja o estadio do desenvolvimento da AVENTURA HUMANA.




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