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A informação desrespeitada

A verdade impõe-se na vida particular, social, política, económica, etc. Sem a verdade, comprometemos o convívio, a confiança mútua e a actividade pública. Acontece, no entanto, que até para o público, há quem denuncie o desrespeito à verdade posta ao serviço do interesse pessoal, político e público.

N/D
10 Mar 2004

Esta dolorosa realidade trouxe o desrespeito sobre os órgãos de comunicação social e o desrespeito sobre os que dela são responsáveis.

Estamos num momento histórico em que os interesses se sobrepõem ao dever.

Acontece, até, que com objectivos obscenos se apagam nomes que serviram dignamente a política e, consequentemente, a vida social. É a política traída, em sua essência, ao serviço da pessoa e dos seus interesses. Este facto regista-se com demasiada frequência sobretudo entre nós.

Recordando um político português, Cavaco Silva, que fez obra e deixou obra, quem da “esquerda” pronuncia o seu nome ou se refere com objectividade ao seu trabalho?

Foi por isso que li com muito prazer um artigo do jornalista Rui Miguel, no semanário “O Diabo” de 24 de Fevereiro último, do qual recorto estes parágrafos: “O Prof. Cavaco Silva nunca foi um político, na corrente acepção do termo. Foi, isso sim, em meu entender, um português que aceitou a ingrata tarefa de governar. E fê-lo – é inegável – com os olhos postos no interesse nacional que , o mesmo é dizer, de todos os portugueses.

Foram anos de franca recuperação económica (com naturais sacrifícios para todos) que lograram guindar o País a uma situação desafogada, tão boa que permitiu a António Guterres gastar, gastar, gastar.

Ao ser afastado do Governo, o Prof. Cavaco Silva terá tido apenas o desgosto de ver a ingratidão do eleitorado, ao não reconhecer o seu trabalho. E nada mais. Tranquilamente voltou à sua vida, certamente feliz por voltar a gozar os prazeres da família.

Deixou saudades em quantos souberam reconhecer o seu trabalho e o seu sacrifício.
Não sei se o Prof. Cavaco Silva se considera um homem de Esquerda, de Centro ou de direita. Nunca lhe perguntei. O que me parece é que nunca teve preocupações de tal ordem, governando para todos, mesmo sem ter o voto de todos.” São objectivas estas palavras e confirmadas pela vida política da pessoa referenciada.

Se na vida política os responsáveis procedessem como Cavaco Silva, a mesma política ter-se-ia enobrecido.

Que vemos presentemente? A “esquerda”, desde o Parlamento à praça pública passa o tempo a criticar o Governo e a defender a casa política em que se hospeda. O partido sobrepõe-se e os que partilham do mesmo não se incomodam. Querem o poder e, em vez de fazerem críticas objectivas e responsáveis preferem achincalhar o adversário. São vários os críticos que se têm referido do nível do Parlamento e em vez de se procurar enobrecer essa casa e a sua actividade, desprestigiam-se.

É uma triste realidade portuguesa: dizer mal do adversário em vez de fazer uma crítica objectiva, sensata e responsável.

Ultimamente, temos assistido, até, no Parlamento, a críticas à coligação que governa o País. E como não podem criticar o partido maioritário, pois não é possível acusa-lo de ser um partido com fundo e objectivos ditatoriais, tentam atingi-lo mediante as críticas ao partido que com de está coligado.

Fazem-nos unicamente para ver se conseguem uma crise entre os dois partidos.

O Partido Comunista, nesta situação, tem vida de uma ousadia doentia, pois assim o podemos deduzir das intervenções feitas em público.

Que se impõe? Se estamos em democracia, a liberdade e os direitos legítimos estão ao alcance de todos. É através desta realidade que os partidos têm de trabalhar. Não o fazendo provocam o descrédito da política e desinteresse dos cidadãos. Terão os políticos pensado, a tempo e horas, no pedido, que já começa a ouvir-se na praça pública, de certos políticos preocupados com as possíveis abstenções nas eleições do próximo mês de Junho? As abstenções no período que se avizinha podem aumentar, porque haverá vários momentos de eleições e o eleitorado não está preparado para compreender e viver uma realidade política.

É bom que os candidatos aprendam a lição de Cavaco Silva tão sucintamente apresentada por Rui Miguel e que transcrevemos neste artigo.




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