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Nótulas soltas da minha agenda

1O que se passou no Parlamento, no dia 3 do corrente, foi uma vitória da defesa da vida humana contra o aborto? Não foi uma derrota. Ainda bem. Mas, que caminhos vão ser trilhados e apoiados a partir do dia 4? Os defensores do aborto não dormem. Vão aproveitar todas as ocasiões e motivos.

N/D
8 Mar 2004

Sobretudo explorarão os que possam gerar um sentimento de compaixão para com as mulheres que abortam. Não pelas mulheres em si, mas pela causa do aborto. Instrumentalizam aquelas a favor deste. É o aborto que é preciso, em seu entender, liberalizar.
2. Houve uma fraca mobilização a favor da defesa da vida humana. Veja-se, por exemplo, a triste realidade retratada no artigo “Igreja Católica na linha da frente do aborto” (cfr. Diário do Minho de 4 de Março): seis bispos que tornaram posição pública conhecida, num universo de, pelo menos 18 titulares; dos leigos nada se dizia, a não ser a referência do movimento “Mais Vida mais Família”, que, obviamente, incluía muitos leigos. Mas, na comunicação social, como é que os leigos reagiram? Quantos artigos, comunicados e opiniões foram tornados públicos por leigos?

3. Bem sei que houve leigos extremamente empenhados. Que lutaram até à exaustão. Conheço alguns. Seja-me permitido salientar, aqui na Diocese de Braga, a Dra. Laura Macedo. Foi graças a eles que se reuniram quase 200 mil assinaturas.

4. E agora? Que prevenção se vai fazer? Que educação para os valores da vida humana se vai promover? Creio bem, pela minha experiência, que vamos continuar a ter muitas procissões com muitos “anjinhos”. Que irão continuar os ritos (mágicos?): vamos continuar a baptizar criancinhas, “casar jovens p’ra festas”, enterrar mortos “por via das coisas…”. Continuaremos a ter homilias insípidas – salvo as honrosas excepções que as há! -, pouco entrosadas na vida. Continuaremos a prestar serviços sociais, e alguns de excelente qualidade, mas pouco imbuídos de caridade mas de muita solidariedade e por onde nem sempre passa a evangelização…

Continuaremos a viver em espírito de capela (o meu movimento/obra é que é bom e é o único que faz bem…) e a olhar de soslaio os outros irmãos que não têm que ser fotocópias nossas, revistas e melhoradas. Continuaremos a desconhecer as obras-mestras da doutrina social da Igreja, nomeadamente no que concerne ao direito à vida, casamento, família, etc…

E agora?… Uma batalha ganha, como esta (e ainda por cima “tirada a ferros”!), não é necessariamente uma guerra ganha. A Aventura Humana espera por nós!

5. Estou a encantar-me com a leitura do último livro do Doutor João Duque – “Cultura contemporânea e Cristianismo” -, editado pela UCP em Fevereiro passado. Uma luz! Tenho acompanhado a carreira científica e académica do Doutor João Duque com o maior apreço e alegria. Claro, rigoroso, oportuno, sem ser pretensioso. Pode ser uma caracterização pobre de um Homem de Ciência e da Fé. É assim que o vejo.

6. Em 27 e 28 de Fevereiro, decorreu na Universidade Católica, em Lisboa, o I Congresso da Federação Portuguesa de Associações para a Formação Parental. Participei neste encontro que decorreu de forma superior quer pelos temas abordados quer pelos conferencistas convidados.

Da oportunidade do tema – Pais para o século XXI – ninguém duvida. Na realidade, mais do que nunca, a formação parental é uma urgência civilizacional! Nietzsche dizia que «se não há um bom pai, ele terá que ser inventado», ou como Daniel Sampaio ao titular um dos seus trabalhos mais conhecidos – “Inventem-se novos pais”, há uma urgência brutal em reinventar a boa parentalidade face ao declínio do exercício desta por parte de um número muito significativo de pais e/ou mães. A formação parental procura ajudar os pais (o pai e a mãe!) a encontrarem o equilíbrio, a força e a dinâmica apropriada no quotidiano rotineiro de se ser Pai e Mãe, hoje! O futuro – os nossos filhos – está hoje a ser preparado pelo presente – os pais. Do modo como estes exercerem os direitos/deveres inerentes às suas funções paterna/materna, vai depender a formação daqueles – os filhos.

A formação parental é uma exigência a que todos os pais não se podem eximir.

6. Aprecio a dinâmica gastronómica que está a ser desenvolvida no Alto Minho. Promovendo a cultura, promove-se a memória colectiva, promove-se o bom gosto e o prazer da boa mesa, promove-se a qualidade de vida dos residentes evitando-se a saída de gente válida. Parabéns às autarquias, à Região de Turismo e a todos os que têm aderido às diferentes e ricas iniciativas. Que sirva de exemplo.




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