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Do miserabilismo à responsabilidade… colectiva

De muitas formas e com várias interpretações temos estado em Portugal a viver neste subsídio desculpabilizante colectivo: o Estado, o Governo, as autarquias (câmaras ou juntas de freguesia) – ao nível civil, político ou público – ou a Igreja, os Bispos/hierarquia – ao nível eclesial… são os culpados de tudo o que de pior nos vai acontecendo, deles tudo esperamos e, se nada fazem, é porque não têm iniciativa ou capacidade, poder de influência ou estão a “abotoar-se” com os dinheiros do povo!

N/D
5 Mar 2004

Mas, se porventura, nos chamam (ou somos chamados) a pronunciar-nos sobre o que quer que seja então “eles” – esse indefinido sem rosto, mas com nome – manifestam falta de autoridade, não são capazes de decidir ou até mesmo (parecem) incapazes de assumir a sua responsabilidade.
Muitas vezes usamos desculpas por não termos a capacidade de acatar, responsavelmente, as nossas tarefas, podendo estar (sempre) à espera do empurrão subserviente do poder, alienando-nos com a desculpa de que os outros é que têm de fazer.

Há freguesias, vilas e cidades onde se nota que as pessoas não têm medo de apostar na qualidade, investindo as suas energias, qualidades e dinheiro. Por outro lado, noutros casos vemos colectividades, associações ou pessoas que só fazem qualquer se em regime de subsídio-dependência: se a câmara paga, faz-se; se a câmara não dá – quantas vezes numa espécie de caciquismo eleitoralista – logo surgem impropérios de quem não se assume naquilo que é ou do vale, mas – quantas vezes cobardemente – acusa, encosta-se ao anonimato ou atira a pedra escondendo a mão.

Ainda recentemente surgiram propostas ousadas para tirar o país desta apatia colectiva, dessa desmoralização sebastianista ou de certos (sindicatos e/ou partidos) reaccionários em roupagem de defensores do (seu) povo. De facto, faltam referenciais de valores na nossa sociedade – seja qual for o campo de análise – personalizados em figuras respeitadas, respeitáveis e respeitadoras. Quantos conflitos se poderiam resolver sem ter de ir a tribunal se os “regedores” estivessem ainda em vigor.

Quantas imoralidades (para já não falar de amoralidades) seriam corrigidas se houvesse homens ou mulheres em cuja família a honra, a palavra ou a honestidade fossem a melhor riqueza que dariam aos seus filhos e netos. Quantos problemas poderiam ser corrigidos se houvesse mais respeito pela autoridade – civil, religiosa, policial ou educacional – a começar em casa, na escola, na Igreja ou na vida/via pública.

Somos “uma nação valente e imortal”. Assim sejamos dignos de levantar de novo o esplendor de Portugal!




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