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Baluarte da Nação!

Falo do já saudoso General Kaúlza de Arriaga (1915-2004), falecido a 2 e sepultado a 4 de Fevereiro do ano corrente. Nasceu no Porto e faleceu em Lisboa.

N/D
4 Mar 2004

Falar deste Português e Militar equivale a desagradar a uns, agradando a outros… Pela sua forte personalidade, pelo seu carácter, pelas suas competências e pelas obras da sua acção, este grande Homem, posto que desagradando a uns tantos, conseguiu ascender a um plano tal que a muitos interpelou…

Não o conheci, nunca falei com ele e apenas dele recebi, por assuntos particulares e por duas vezes nestes últimos cinco anos, dois cartões com mensagens suas ali exaradas.

Agora que faleceu, vi e ouvi, na imprensa, rádio e televisão, alguma coisa a seu respeito. Não ouvi ninguém a negar-lhe estatura de grande nem a tentar diminuí-lo no prestígio que o aureolava. Certo é, por haver sido saneado do Exército no pós-Revolução de Abril, ter sido preso durante dois anos (tendo o Tribunal, depois, obrigado a reintegrá-lo) e até pela criação do movimento MIRN (Movimento Independente de Renovação Nacional), Kaúza obrigou muita gente, civil e militar, a olhar de soslaio para si… Como era grande, forte e não vergava facilmente no seu amor pátrio e na defesa das suas convicções, tornava-se um estorvo para caminhadas aventureiristas…

O seu auto-retrato político fê-lo ele mesmo, afirmando: «Quem diz que sou fascista é um idiota. Sou um homem da direita democrática». Infelizmente, parece que em Portugal, a democracia não aceita sem prurido o que acertadamente sai da direita…

Houve ousados que falaram bem dele e prestaram-lhe honras fúnebres. Outros, porém, quais “nicodemos”, só pela rama, titubeando e a medo… Mas Kaúlza foi muito grande, águia de altos voos e não andorinha negra que aparece nas Primaveras… Foi engenheiro, subsecretário da Aeronáutica, supremo comandante militar em Moçambique, estratega, apesar de alguns fracassos, grande pensador político; desejava e preparava a descolonização, mas não à pressão e qualquer preço…

Entre alguns que frontalmente o reconheciam como digno da homenagem que lhe foi prestada pelas Forças Armadas, oiçamos o ex-Chefe do Estado Maior do Exército, Cerqueira Rocha: «Em Moçambique, revelou um elevado espírito de missão, sensibilidade estratégica e sentido táctico, atributos que colocou ao serviço das causas em que seriamente acreditava. Foi um chefe militar de reconhecida qualidade, valor e forte personalidade. Ninguém poderá duvidar do seu amor à Pátria, ao longo de uma vida ao serviço da Instituição Militar e de Portugal» (Diário de Notícias, de 4 de Fevereiro).

Até sempre, meu grande Patriota!




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