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Sharon – pai de um estado palestino?

Habituámo-nos como quem aceitou um dogma, à leitura do conflito palestino-israelita que vê em Israel o carrasco e nos palestinos as vítimas. Apesar do apoio evidente, apesar de velado, dos “moderados” da OLP aos terroristas – perdão, guerrilheiros – do Hamas e todas as brigadas de “mártires” de Alá, Maomé, Meca e toda a lista de santos nomes de que se vestiu o ódio que alimenta o infame e cobarde terrorismo.

N/D
3 Mar 2004

Apesar de Arafat ter usado o dinheiro da União Europeia, não para melhorar a vida do seu povo, mas para suportar o conflito. Apesar de quem não tem memória curta lembrar que, na “escola” onde aprenderam os “guerrilheiros” palestinos, os professores eram comunistas soviéticos – nestes campos de treino, frequentados por “alunos” do IRA, ETA, Brigadas Vermelhas, Frente de Libertação da Córsega, Frente de Libertação da Bretanha, Frente de Libertação do Quebeque e FPLP – ensinava-se terrorismo urbano. E apesar de, todos os dias, indivíduos envenenados de ódio pelos seus líderes “religiosos” se fazerem explodir em bocados em autocarros israelitas cheios de crianças e civis inocentes.
Habituámo-nos. Aceitamos. Talvez porque as reportagens que vemos nas televisões das nossas democracias da liberdade de informação não perdem muito tempo a mostrar-nos as vítimas e a sua dor, evitam imagens dos corpos esfacelados de crianças, concentradas na mediática luta palestina.

Seria injusto não reconhecer a inteligência dos realizadores da Intifada – crianças com pedras contra tanques é uma imagem sempre comovente… E depois de, quando o controle israelita se tornou mais eficaz com os homens, terem usado de linguagem religiosa para mandarem mulheres com explosivos à cintura, agora esperamos pelo dia quando os líderes “islâmicos” encontrarão a palavra de Maomé mais apropriada para justificar o envio de crianças, prometendo-lhes o Paraíso.

Como não podia deixar de ser, este dogma dominante na interpretação do conflito palestino-israelita demoniza Ariel Sharon. E poucos são capazes de perceber que o primeiro-ministro de Israel é um político de uma rara elasticidade e não um ideólogo revisionista. Genial táctico militar, não está apegado a nenhuma ideologia, acima de qualquer ideologia coloca a eficiência das estratégias.

Sharon não está sentimentalmente ligado às concepções da direita israelita e mostra-se capaz de se afastar delas quando não se traduzem em soluções. Como ministro, foi um dos responsáveis pela construção de colonatos israelitas no Sinai. Depois, para conseguir a paz com o Egipto, dirigiu a evacuação dos habitantes desses colonatos. Agora decidiu retirar os colonos da Faixa de Gaza, apesar de ter sido ele, no comando militar da frente sul, a traçar os lugares onde seriam instalados.

Faz agora a prova de forças na Faixa de Gaza antes do confronto decisivo que o espera na Margem Ocidental do Jordão. Gaza é um caso perdido, com 7,5 milhares de judeus rodeados de 1,5 milhões de palestinos. Desistir de Gaza é libertar a divisão que defende os colonatos. Se continuar a realizar a linha que empreendeu, Sharon terá que enfrentar na Margem Ocidental do Jordão os radicais ultra-ortodoxos. E muito possivelmente dir-lhes-á que se quiserem ficar fora do muro, ficam sem passaportes, responsáveis pela sua defesa. De um lado do muro ficará Israel, do outro a Palestina.

E Henry Kissinger tem razão quando diz que não foi nem será possível impor a israelitas e palestinos um plano de paz no papel, mas graças à construção do muro de separação entre Israel e a Palestina surge finalmente a chance de solucionar o conflito. Ariel Sharon chegou à conclusão que não tem sentido tentar negociações e avança com passos unilaterais. E apesar de não ser esse o seu objectivo, com a construção do muro, o político israelita pode levar à criação do Estado palestino.

Para já, consegue assegurar maior protecção aos israelitas. Com o muro de pé, os pais vão ficar mais descansados quando de manhã tiverem que se despedir dos filhos que partem para a escola…




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