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Numa hora difícil…

O aparecimento político da democracia após os acontecimentos registados em países como a Alemanha, a Itália e Portugal, trouxeram-nos novidades que nos levam a pensar mal dos responsáveis que governaram em tempos de ditadura.

N/D
3 Mar 2004

Houve quem pensasse, como aconteceu em Portugal, que Salazar e a sua obra deviam ser destruídos: não se respeitaram os movimentos nem as obras efectuadas.
Aconteceu até que os vencedores dessa revolução nem todos quiseram respeitar a verdade histórica e os “ditadores” que a produziram. A Espanha e a Itália respeitaram-nos. Entre nós tal não aconteceu.

O semanário “O Diabo” de 20 de Janeiro último contém um artigo com este título: “Museu do Estado Novo adiado por motivos políticos”. E insere estas palavras: «Ao que parece, a obra e memória de António de Oliveira Salazar, falecido em 1970, continua a incomodar muita gente. E, curiosamente (ou talvez não), na sede de concelho, Santa Comba Dão, as referências à mais destacada personalidade do Estado Novo são nulas. Nem sequer um nome de rua.

Enquanto isso, no Vimieiro, a casa onde nasceu e cresceu o Presidente do Concelho está praticamente votada ao abandono, sendo visíveis as marcas de destruição infligidas no período posterior à Revolução de Abril. Mas ao que O Diabo apurou, a Escola-Cantina Salazar deverá ser o último sítio possível para que as memórias do Estado Novo e do seu líder fiquem imortalizadas.

Construída na década de 30, através de uma subscrição de amigos de Oliveira Salazar, a Escola-Cantina fica paredes-meias com a movimentada IP3 que liga Coimbra a Viseu. “Enquanto tivermos um presidente de câmara de esquerda, nada do que se fala será concretizado”, é o sentir generalizado na pequena vila do Vimieiro, onde são quase nulas as referências visíveis a António de Oliveira Salazar, exceptuando duas placas toponímicas baptizadas com o seu nome e a Escola-Cantina que também o homenageia. Rui Salazar assegura que o cemitério continua a ser o local de romaria preferido para os admiradores do antigo Ministro das Finanças. “Vêm aos milhares todos os anos, do norte ao sul do País”, diz. Mas o sobrinho-neto de Oliveira Salazar não tem dúvidas: «o museu tem que ser criado e com a designação de “Museu do Estado Novo”».

No plano da cultura, são bastantes os trabalhos que se têm publicado sobre a pessoa e obra de Salazar. O ódio que envolve frequentemente as opiniões dos críticos não tem influência senão naqueles que, sendo interessados nas honrarias pessoais, aproveitam para os seus fins almejados.

Importa informar quer no ensino quer na informação jornalística as pessoas, pois é essa a função da comunicação social. Entre nós tal não acontece infelizmente, olvidando-se o dever da comunicação objectiva e séria.

As pessoas, infelizmente, no período que estamos a viver, preferem associar-se à multidão e não respeitam o dever da colaboração na verdade, na justiça. Preferem o êxito pessoal ou do sistema que adoptaram para a sua vida política e social.

No último Encontro das Presidências das Conferências Episcopais das Igrejas Lusófonas, efectuada em Bissau, D. Tomás Silva Nunes, Bispo Auxiliar de Lisboa e secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, teve afirmações objectivas e oportunas. Vamos transcrevê-las: «A política deve dignificar a pessoa humana, mas a política dá conta de uma descredibilização da política e dos políticos; a política é o uso do poder na construção de uma sociedade na qual deve prevalecer o espírito de servir e não o de se servir; na política terá de existir sempre uma sólida moral».

Estas palavras foram ditas longe da Europa, onde presentemente, no século da liberdade, na França, sobretudo, e na Alemanha, se põem entraves, causadas pela legislação à actividade religiosa pública.

Os políticos, até em Portugal, quando falam de democracia, cantam hinos à liberdade. Mas ao referirem-se à Religião Católica exigem limitações que ferem o direito da liberdade religiosa em qualquer sociedade, mormente a sociedade democrática.

Ainda estamos sobre a pressão dos ventos anti-religiosos e, entre nós, como a história o regista, algumas políticas apelam à liberdade até contra a moral. Há-os, até, que querendo respeitar a História, aceitam a moral, mas como está a acontecer em França, só na vida privada e não na vida pública.

Com estas tristes realidades, o problema religioso não é encarado a sério e apresentado com responsabilidade. A hora é grave: o à-vontade com que se desprezam os deveres morais no plano pedagógico, e no familiar, tornam o momento presente difícil com sérias repercussões na sociedade em que nos encontramos. É necessário tomar consciência responsável face às exigências da hora que estamos a viver e do seu futuro.




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