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Atenção, Senhor Primeiro Ministro!

No último fim-de-semana desloquei-me a Melgaço, e, na manhã de sábado, tive de procurar, na sede do concelho, alguns materiais indispensáveis para dois artistas me executarem em casa pequenas obras de manutenção.

N/D
2 Mar 2004

Tratou-se de uma viagem muito rápida para evitar que os artistas estivessem parados por falta dos materiais necessários, vendo-me obrigado a entrar em três estabelecimentos comerciais diferentes, mas em todos deparei com a mesma preocupação, comum aos proprietários, empregados e público.
Logo no primeiro fui informado do tema exclusivo da conversa, pois, enquanto o empregado que me atendeu procurava aviar a encomenda, uma colega perguntou-me se estava disposto a subscrever a petição em defesa da conservação em funcionamento da Estação de Correios da Vila de Melgaço, que superiormente pretendem encerrar. Assinei sem qualquer hesitação, não só por uma questão de solidariedade com os meus conterrâneos, mas também porque, apesar de não residir permanentemente no concelho de Melgaço, também sou utente dos serviços desta estação.

Já me tinha chegado uma vaga informação sobre o projecto de transferir para as Juntas de Freguesia certas funções actualmente dependentes das estações de correios e dos serviços de recolha e distribuição da correspondência, que não cheguei a aprofundar. Afinal, parece que é mesmo para valer.

Tal projecto, nas circunstâncias actuais, com a falta de capacidade das Juntas de Freguesia em meios técnicos e pessoal qualificado para responderem convenientemente às exigências de um serviço que se pretende cada vez mais eficiente, embora sem conhecer os pormenores, afigura-se um autêntico desastre. As pessoas que fui ouvindo e com as quais não pude deixar de dialogar, ainda não se esqueceram do extravio de correspondência que, há tempos, alguém deixou de entregar, tendo aparecido, depois, segundo dizem, dentro de um jeep abandonado na Galiza.

Todos concordamos que é necessário racionalizar e reorganizar estes e outros serviços, em ordem a uma maior eficiência e, dentro do possível, redução dos custos, que todos nós pagamos. Mas privar um concelho inteiro, zona de forte emigração, de serviços de comunicação, envio e recepção segura de encomendas e dos demais serviços prestados pelas estações de correios actualmente existentes, mormente a sedeada na Vila de Melgaço, só pode passar pela cabeça de quem não conhece as dificuldades do país real.

Na passagem pelos três estabelecimentos comerciais, observei que as pessoas ainda se iriam resignando a aceitar o encerramento das estações de Castro Laboreiro e do Peso, mas a da Vila de Melgaço, nem pensar.

Julgo que é igualmente grave encerrar as estações de Castro Laboreiro e do Peso ou qualquer outra existente. É provável que nessas estações, outrora criadas para comodidade das populações, o actual volume de serviço não justifique a sua abertura em permanência. Mas, não será viável a sua abertura em tempo parcial, por exemplo, duas ou três horas por dia, em horário a estudar e, se possível, diferente nas várias estações? Castro Laboreiro, zona turística, com estação construída há décadas, e o Peso, estação termal, privadas dos serviços de correio ficarão ainda mais empobrecidas e os seus utentes privados de um direito adquirido e de comodidades de que já não se pode prescindir. Deixar o concelho de Melgaço, um concelho periférico em relação aos grandes centros urbanos do País, sem estações de correio, mormente na sede do município, é um verdadeiro e impensável atentado contra a população concelhia.

Não posso deixar de me associar às preocupações dos meus conterrâneos e de chamar a atenção de quem de direito para a gravidade de tal projecto, sem garantias aparentes de segurança e eficácia.

Não sei – e para o caso pouco interessa – se a proposta partiu do plenário governamental, do respectivo Ministério que tutela os serviços ou da própria empresa, mas não duvido de que, a concretizar-se, quem vai pagar a factura, na altura própria, será o actual Governo.

A concretização deste projecto, face à reacção clara que me foi dado observar, é uma verdadeira armadilha colocada no caminho da governação deste País.

Por isso, não hesito dizer :- Atenção, Senhor Primeiro Ministro!




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