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A Segurança é uma necessidade básica

A segurança é uma das necessidades básicas do ser humano, principalmente, a segurança ou estabilidade no emprego, a busca de protecção contra a ameaça, a privação da liberdade e a fuga ao perigo. Um senhor, chamado Maslow, (em Hierarquia das Necessidades), diz que a segurança do indivíduo está logo a seguir às necessidades fisiológicas, como o comer e o dormir, e é uma das motivações humanas para um melhor rendimento no emprego.

N/D
1 Mar 2004

A insegurança no emprego e na vida pública fazem dos portugueses um povo intranquilo. O desemprego é uma ameaça constante e o assalto na via pública, a subir dia-a-dia, não deixam margem para grandes carnavais. O emprego, nos dias de hoje, é um benefício social e humano e não um castigo bíblico, imposto por desobediência.
Quem hoje está desempregado, e não vê quaisquer hipóteses de vir a arranjar outro, sabe que desespero experimenta ao ver escoar o tempo do subsídio de desemprego. Soçobra a esperança na razão directa da falta de perspectivas de novo emprego. E, depois, como vai alimentar a sua casa e honrar os seus compromissos? Acho uma despudorada falta de sensibilidade humana, quando se contra argumenta dizendo que a miséria não é assim tanta, porque os restaurantes estão cheios, as praias saturadas, os hotéis esgotados e os parques automóveis atafulhados. Pois estão, mas perguntem, primeiramente quem os enche? Não são, certamente, os desempregados que lá estão.

Não temos segurança, nem estabilidade no emprego: as falências falam por si. De dia, os assaltos a pessoas; de noite, os arrombamentos em casas de comércio, escolas, igrejas e casas particulares, são um rosário. A coragem não filtra o medo. As milícias são uma resposta febril. E dizemos todos: é um problema de mais polícia nas ruas, mais viaturas, melhor armamento, mais especialistas contra o banditismo, e sempre mais e mais, até ao paroxismo da exigência.

Mas será que não há mesmo os meios necessários para garantir a segurança de todos nós, ou os problemas são doutra ordem? Em Braga temos PSP, Polícia Municipal e GNR. Que conjunção de esforços faz esta gente toda a favor da segurança do cidadão? Se é verdade que estas forças existem para protecção dos pacatos “chefes de família”, e só a estes devem a sua existência, onde está o seu desempenho, se cada vez há mais roubos e mais assaltos? Sabemos que em qualquer país, mesmo ditos civilizados, existem marginais.

Por isso é que, em alguns casos, como disse, um dia o bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, “o medo também é uma pedagogia”. Temos medo desta pedagogia. Mas factos são factos. Quanto a nós, a polícia Municipal, a PSP e GNR, deveriam fundir-se numa só força de Segurança do Cidadão.

Não faz sentido tantas capelinhas. Cada uma tem a sua função, quando deveriam ter uma única função, com um maior aproveitamento das condições humanas e materiais existentes. Juntos chegavam para a segurança de todos nós. Nestas coisas há sempre quem queira ser cabeça de rato.

Assim fez D. Afonso Henriques. A fragmentação enfraquece e, por antítese, dá razão à parábola dos vimes. Penso, por mal haver, que nunca teremos uma só força de segurança na cidade, subordinada a uma só cadeia de comando. Que fariam a tantos chefinhos? Mas, ao menos, que os cabeças de rato se entendam para podermos andar tranquilos nas ruas e dormirmos descansadamente de noite. Já que não há emprego, nem estabilidade no emprego, ao menos, haja sossego para engolir as migalhas.




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