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«Um sábio, um médico cristão, um santo…»

De 19 a 22 de Fevereiro deste ano celebrou-se no Vaticano o décimo aniversário da Academia Pontifícia para a Vida e recordou-se o seu primeiro presidente, o geneticista Jerôme Lejeune. Também queremos prestar a nossa homenagem àquele que foi considerado por Pierre Chaunu, luterano, como: «um grande sábio, mais ainda … um médico, um médico cristão e um santo».

N/D
28 Fev 2004

Jerôme Lejeune morreu a 3 de Abril de 1994, com 68 anos de idade, com um cancro de pulmão. A sua morte deixou o mundo mais pobre.
Quando Lavoisier morreu, sob o cutelo da guilhotina em França, o presidente do tribunal teve esta triste e infeliz frase: “A República não precisa de sábios (!)”. Lagrange, célebre matemático seu contemporâneo disse na altura: “bastou um minuto para cortar a sua cabeça; terão de passar cem anos para que nasça outra igual”. Eu penso que essa cabeça nasceu neste século e pertenceu a Jerôme Lejeune.

Jerôme Lejeune foi um “sábio biólogo” como o descreve o Santo Padre João Paulo II na sua carta ao Cardeal Lustiger. Era casado e pai de cinco filhos; o seu “curriculum vitae” é muito rico: doutor em Medicina e Biologia; professor de Genética fundamental da Universidade de Paris em 1964 e no ano seguinte chefe do serviço do Hospital Necker-Enfants Malades, de Paris, toda a sua vida foi dedicada à defesa dos direitos dos não nascidos e das crianças com deficiências. No referido Hospital se manteve até à morte; pouco antes de morrer ainda fez a revisão de um trabalho que tinha em mãos, tal era a sua devoção ao trabalho profissional. Tornou-se célebre pela descoberta, em 1959, da causa do mongolismo (síndrome de Down).

O seu trabalho científico valeu-lhe a admissão no Instituto de França por parte da Academia de Ciências Morais e Políticas em 1982, e em 1983, na Academia Nacional de Medicina. A Suécia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, bem como a França concederam-lhe galardões científicos, reconhecendo-o como um dos principais peritos mundiais em Genética. As Universidades de Düsseldorf e Navarra concederam-lhe o título de doutor “honoris causa” não por motivos sociais ou políticos, mas pelo reconhecimento dos seus méritos como cientista.

Paulo VI nomeou-o em 1974 membro da Academia Pontifícia de Ciências; foi assessor da Santa Sé em assuntos da sua especialidade; foi chamado a participar, como perito, no Sínodo dos Bispos.
A sua maneira de ser: “um ardente defensor da vida”, como o definiu João Paulo II, valeu-lhe ser respeitado por muitos, mas incómodo para outros tantos. João Paulo II disse dele: “assumiu plenamente a responsabilidade própria do sábio, disposto a ser um «sinal de contradição», sem se importar com as pressões exercidas pela sociedade permissiva nem pelo ostracismo de que foi alvo”.
Pierre Chaunu disse dele: “não podia suportar a matança dos inocentes; o aborto causava-lhe horror. Acreditava (…) ainda antes de ter a prova irrefutável, que o embrião humano é já um homem e a sua eliminação é um homicídio”.

Empregou todo o seu saber e prestígio para propagar a verdade comprovada pela ciência de que a vida humana começa no instante da concepção. Opôs-se em 1968 às campanhas a favor do uso de contraceptivos, sobretudo nas colónias francesas; foi contra a legalização do aborto em França, em 1975; mais tarde condenou a fecundação “in vitro”. A sua prestigiada opinião, defendendo que os embriões congelados eram seres humanos, levou um tribunal de Maryville (nos Estados Unidos) a anular a sentença da sua destruição.

Em 1981 declarou perante a comissão do Senado norte-americano que os não nascidos são seres humanos, indo assim contra a emenda da lei do aborto; voltou ao assunto no Parlamento britânico quando aí se discutia se seriam de admitir experiências em embriões com menos de catorze dias. Afirmava: “a vida tem uma história muito extensa, mas cada indivíduo tem um começo muito preciso: o momento da concepção”; (…) o incrível polegarzinho, o homem mais pequeno que o dedo polegar existe realmente, não na história, mas no que cada um de nós já foi”.

Nos tempos que correm o exemplo de uma vida assim faz-nos bem – as suas palavras eram fruto da sua fé, mas apoiadas em dados da ciência que, contra o que muitos afirmam, não se opõem, mas caminham a par: a fé ajuda a aprofundar a ciência e esta fortalece a fé.

Quando, entre nós, se fala tanto em aborto e referendo a seu favor, convém saber que há sábios, que souberam levantar a sua voz pelo respeito dos nascituros e que se opuseram à progressiva destruição da família, com sérios riscos para a estabilidade da sociedade.




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