Fotografia:
As razões do deputado Hohmann

1 – Um deputado alemão expulso por usar a sua liberdade de opinião. O caso teve lugar há poucos meses, mais precisamente em Outubro e Novembro do ano passado. Mas passou quase despercebido, pelo menos em relação à importância que lhe devia ser atribuída. Foi, apesar de tudo, noticiado a 4 colunas na pág. 31 do Diário do Minho de 12 de Novembro de 2003.

N/D
28 Fev 2004

Passou-se o seguinte. O deputado democrata-cristão Martin Hohmann discursava no Dia da Unidade Alemã, a 3 de Outubro. E lembrou-se de assumir o facto, aliás verdadeiro, de que a imagem do povo alemão perante uma parte significativa da comunidade internacional (eventualmente a menos culta) continua ainda a ser especialmente associada aos crimes e excessos praticados durante a 2.ª Grande Guerra, a de 1939-45. Sem rodeios, admitia ele que os alemães continuavam a ser por muitos considerados (por muitos dos próprios alemães, inclusive…), “um povo de criminosos”.
Porém, como Hohmann era um deputado alemão, sentiu-se no direito (e no dever) de defender o povo que o elegeu, atitude que parece que caiu mal em certos círculos, alguns deles, calcule-se, alemães… E consequentemente, a pedido do Conselho Central dos Judeus na Alemanha (que funciona como espécie de “tribunal constitucional” local) trataram logo de o expulsar do partido e do grupo parlamentar.

Contudo Hohmann, apoiando-se apenas e só, na História, lembrara unicamente (como se diria em São Bento, “em defesa da honra”…) que se os alemães são um povo de criminosos, os judeus (suas principais vítimas naquele conflito) também o são de certeza. E isto, dizia ele, porque a grande maioria dos líderes dos primeiros anos da revolução comunista de 1917, na Rússia, era de origem judaica. E, como hoje se sabe, a instauração do Comunismo na Rússia custou a vida a mais de 20 milhões de pessoas.

Este número terrível é o somatório das vítimas da guerra civil russa de 1918-19; da guerra russo-polaca de 1919-20; do amargo fracasso das políticas económicas dos anos 20 (principalmente a hecatombe da fome nos campos que se seguiu ao massacre sistemático dos proprietários agrícolas e suas famílias, os “kulaks”); das purgas dos anos 30 e do famoso “arquipélago Gulag”, embora estes dois últimos factores já se devessem a Stalin, um georgiano não-judeu e por acaso, bem hostil ao povo de Abraão.

2 – Quais foram os líderes judeus da Revolução Bolchevista? Lenin não era judeu. Mas boa parte dos membros do partido “social-democrata” russo, que deu origem ao partido comunista (“bolchevista”, i.e., “maioritário”) eram-no. Aliás, igualmente entre os minoritários (“mencheviques”) a percentagem de judeus era muito alta Lembremos aqui alguns dos principais chefes judeus da Revolução Comunista.

Hei-los. Trotski (aliás, Lev Davidovitch Bronstein, 1879-1940, de início o estratego da vitória na guerra civil e o arqui-rival de Stalin na sucessão de Lenin, em 1924). Sverdlov (1885-1919), que foi o chefe da máquina do secretariado e também quem mandou fuzilar a família real e em cuja homenagem rebatizaram de Sverdlovsk a cidade de Ekaterinburg, no sul. Kamenev (Lev Borisovitch, 1883-1936), um dos triúnviros (com Stalin e o judeu Zinoviev) no período de doença de Lenin (1922-24). Zinoviev (aliás, Ovsel Gershon Aronov, 1883-1936, o duro repressor do povo de Sampetersburgo). Ou ainda Isaac babel (1894-1941, escritor e matador).

Na política secreta (a Tcheka, comandada pelo polaco Dzerjinski, abundavam os judeus, sobretudo nos escalões médios e altos. Importantes revolucionários judeus comunistas, fora da Rússia, foram também naquela época Bela Kuhn (que chegou a tomar o poder na Hungria); e Rosa Luxemburg e Kurt Eisner, na Alemanha (que o tentaram sem sucesso). Se a toda esta lista se acrescentar que alguns dos teóricos da revolução comunista eram judeus, p.ex., Lassale e sobretudo Karl Max…

Note-se que, sendo em 1917 os hebreu menos de 3% da população russa, já então 25% dos membros do Comité Central pertenciam a esta irrequieta estirpe talmúdica.

A tal ponte chegou a predominância quantitativa e qualitativa dos judeus no início da Revolução Soviética, que no Ocidente esta revolução pareceu a muitos observadores, jornalistas e políticos, uma revolução israelita. Foi o caso, p.ex., do notável líder da indústria automóvel americana, Henry Ford.

Ou do já então ministro inglês, durante a 1.ª Grande Guerra, Winston Churchill (1874-1965), que ajudou a municiar as tropas anti-comunistas, os “brancos”.

3 – Reflexos na reacção nacionalista (e nazi-facista). Aos nacionalistas dos vários países europeus, a notória associação dos judeus à Revolução Comunista triunfante pareceu duplamente grave. Pois na sua criteriosa análise, eles temiam que ao domínio que os israelitas haviam alcançado desde o fim do séc. XVIII sobre o Grande Capital bancário, se juntasse agora o domínio sobre o Proletariado. E agora viam também as monarquias e impérios a desabar à sua volta (Alemanha, Rússia, Turquia, Austro-Húngria, Portugal, Espanha, Sérvia, Bulgária, Roménia). E atribuíam essa queda à acção da Maçonaria internacional, essa sim, consabidamente telecomandada pelos hebreus. E que, através da Carbonária ou não, estivera ligada a uma série de assassinatos preparatórios de um clima político mais favorável ao triunfo dos republicanos ou dos países pro-maçónicos na 1.ª Grande Guerra.

Dessa “conjura preparatória” tinham sido vítimas o 1.º ministro búlgaro Stambolov (1895), o rei sérvio Alexandre (1903), o rei português D. Carlos (1908) e o príncipe Francisco Fernando, nada menos que o poderoso herdeiro do trono imperial austro-húngaro (1914), no célebre atentado de Saraevo que foi a causa próxima da 1.ª Guerra Mundial. Durante a guerra de 14-18 esta estratégia selectiva foi continuada através do assassinato do presidente Sidónio Pais (1917) e da impediosa execução pelo exército britânico de todos os líderes da “Revolta da Páscoa” de 1916 (ou Easter Rising), todos eles independentistas irlandeses pro-germânicos (Pearse, Connolly, Plunkett, MacDermott. MacDonough, etc.).

Foi neste ambiente venenoso e inteiramente novo que nasceram e desabrocharam Mussolini, Hitler, Salazar e Franco. Produtos da sua época, aplaudidos por multidões cada vez maiores, às quais as agruras da Grande Guerra de 14 deixaram com a barriga vazia e consequentemente com a inteligência mais desperta.

4 – A Alemanha de hoje, um monstro oco. Mas voltemos ao deputado Hohmann e à sua denúncia dum facto verdadeiro. O seu problema é que a Alemanha, de hoje, apesar dos seus 80 milhões de habitantes, não é a Alemanha de outrora. É uma espécie de monstro oco, de tigre de papel. Um gigante económico com os pés, de frágil barro e já partidos. Um país que, apesar de ter sido humilhado, totalmente arrasado, ocupado e dividido a seguir à 2.ª Grande Guerra (já lá vão mais de 60 anos) continua a pensar que, em Democracia, a culpa passa de pais para filhos, netos e bisnetos…

A Alemanha de hoje despreza ou ignora os seus génios e heróis do passado (os Beethovens, Händels, Bachs, Hemanns, Otões, Fredericos, Birmarcks, Dürers, Keplers, Plancks, Luteros e Santos Albertos Magnos) para se concentrar apenas, como que hipnotizada, naqueles vertiginosos e fatídicos 12 anos em que se aventurou pela senda aberta pelo “mago de Braunau”.

Hoje, quando biliões de pessoas compram preferencialmente automóveis ou televisões alemães (e japoneses) fazem-no porque é normal estes serem melhores que os dos outros países. E curiosamente o Japão e a Alemanha continuam impopulares num inconsciente colectivo mundial onde ficaram bem gravadas as cenas do chamado Holocausto. Mas onde a propaganda dos vencedores apagou quase por completo o churrasco e as radiações de Hiroshima-Nagasaki e os escombros e cadáveres puramente civis de Dresden e Hamburgo.

A Alemanha de hoje, ignorante do seu passado, dissolvida na CE e com 5 milhões de turcos e curdos, ainda existirá? Eu responderia que talvez sim. Existe quase tanto como Portugal, Espanha ou França, países onde a liberdade de expressão está garantida nas respectivas Constituições. E onde não existem temas-tabu. Era só o que nos faltava a nós, homens do sul da Europa. Alguma utilidade haveria de ter Abril…




Notícias relacionadas


Scroll Up