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Outro ponto de vista…

Em crónica anterior parabenizamos a Universidade do Minho pela passagem do seu trigésimo aniversário.

N/D
27 Fev 2004

Hoje, a propósito de um evento a realizar proximamente, da responsabilidade da Associação Académica da referida instituição de Ensino Superior, a chamada “semana da euforia”, algumas sugestões para reflexão.
Os alunos são uma das partes componentes de qualquer instituição de ensino de grande importância. Eles são a razão primeira da existência destas instituições e são a garantia/certificado da qualidade de ensino ministrado, nomeadamente quando sujeitos no final dos seus cursos às provas diárias nos vários mercados de trabalho.

Exige-se por isso às Associações que os representam que sejam activas, actuantes mesmo, na defesa dos seus legítimos interesses.

Não me parece que seja relevante, nem para os alunos, nem tão-pouco para a sociedade em geral, que se anuncie a realização de uma semana em que no seu preâmbulo panfletário se diz servir este momento para pôr em causa legislação, ainda não aprovada, anunciando uma oposição ao pagamento das propinas e, no seu interior, se proponha como lugares e métodos de trabalho um conjunto de festas tão abrangentes que se realizam nos dois pólos universitários.

Aliás, os patrocinadores desta iniciativa académica, que vai reflectir sobre o montante de propinas a pagar, são, se a memória não me engana, bares e lugares de dança da região.

Nada me opõe ao sentido festivo. Não confundo é lugares nem tão-pouco momentos.

Como perceber alguém que questiona o montante a pagar das propinas e, nesse momento, gasta dinheiro em iniciativas que de académicas só levam o nome?

Será que não entendem que é o país real dos contribuintes que lhes anima as festas?

Ou será que depois de licenciados irão prestar serviço social à comunidade que os formou? De borla! Ou quase.

Fazendo uma caricatura, hoje sabemos que podemos recorrer a um especialista, médico porque não?, e ele nada nos cobra. Até nem pagou propinas! Ou recorrermos a um jurista, a um arquitecto e por aí adiante. Esquecemo-nos, às vezes, é que muitos não puderam, por razões várias, estudar e, hoje, do seu trabalho é-lhes retirado uma parte importante, que vai animando as euforias e folias de alguns.

Não é para promover estas iniciativas que tem sentido ter uma Associação Académica. Nem a propósito, seria bom de ver uma participação activa dos estudantes do Ensino Superior bracarense em iniciativas como a Feira do Livro que decorre em paralelo com a “Semana da Euforia”.

Haja bom senso! Quem quer festas que as pague! Quem pode que pague também a sua formação. A gratuitidade do ensino, como tudo na vida, é uma falácia.




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