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A Escola e a Família – Estratégias de intervenção: 14) autogestão

No atinente a esta técnica, começamos por afirmar que a auto-motivação para a mudança é um trunfo fundamental para a alteração de comportamentos inadequados. Deixar os alunos envolverem-se na gestão do seu próprio comportamento pode constituir uma forte motivação para o processo de modificação de comportamento na aula, dado que os discentes, como qualquer outra pessoa, gostam de se pronunciar sobre aquilo que lhes diz directamente respeito.

N/D
26 Fev 2004

A maioria das situações escolares (muito regulamentadas) foi concebida de modo a que os professores conduzam tudo. São eles que organizam o dia, escolhem os temas e os materiais, determinam os ritmos, dirigem a comunicação e distribuem parcimoniosamente o poder. No entanto, um dos objectivos basilares da educação é que os discentes desenvolvam competências de autogestão.
Por isso, é que muitos alunos sofrem uma quebra no seu rendimento escolar quando transitam de nível de ensino. Desenvolvendo estas competências de autogestão, os discentes adquirem um melhor controlo sobre as respectivas vidas, aprendem a assumir a responsibilidade pelos seus actos e o professor partilha com eles o encargo de planear e implementar as rotinas e actividades diárias.

Contudo, devem ter-se em conta certas linhas de orientação para a implementação de processos de autogestão:

1. Definir os comportamentos que deseja que os alunos assumam. A melhor maneira de evitar conflitos é clarificar as regras de comportamento e de disciplina;

2. Estabelecer claramente quanto “poder” está disposto a pôr nas mãos da turma. Cabe ao professor decidir “o que modificar”, quando se passa para o domínio da autogestão;

3. Estabelecer clara e publicamente aos alunos as expectativas que tem acerca deles. Deve pedir ao discente para alterar o comportamento de acordo com aquilo que deseja.

Neste contexto, o docente deve intencionalizar a sua acção em ordem a promover o sentido de responsabilidade individual dos alunos, utilizando certos processos de autogestão comportamental. Referimos os três mais relevantes:

1. Autocontagem de comportamentos. É um processo, através do qual o aluno pode receber um feed-back imediato e preciso das suas acções. Para além disso, uma vez que o processo é conduzido pelo próprio aluno, fomenta-se a autogestão comportamental e a responsabilidade pessoal, objectivo máximo do processo de socialização.

Partindo do princípio de que se trata de modificar comportamentos indesejáveis, estes devem ser especificados claramente e deve estabelecer-se uma linha de base. Seguidamente deve-se explicar aos alunos o objectivo pretendido, pedindo-lhes que utilizem um registo das ocorrências desse comportamento. O discente, a princípio, pode precisar de ser orientado, mas é ele que tem de assumir a responsabilidade pela contagem do comportamento.

Frequentemente, a tomada de consciência de um comportamento é por si só suficiente para a sua modificação. Quando alguém nos faz notar que passamos o tempo a dizer “portanto”, tornamo-nos conscientes desse facto e fazemos um esforço para evitar a sua repetição.

Se a simples consciência não for por si só suficiente para modificar o comportamento, pode implementar-se um sistema de recompensas, sendo o aluno premiado sempre que os registos diários comprovem a diminuição do número da percentagem de ocorrência do comportamento.

Continua nos próximos números




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