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Haja decência e respeito

Estamos, há bastante tempo, sob a pressão de notícias com expressão negativa quando abordam temas sociais e políticos. Tem lugar amplo em órgãos de informação, os quais se prontificam dizendo que estão ao serviço do público. A objectividade é parcial, pois visa o negativo, e o dever é desprezado ou pelo silêncio ou por notícias breves e muito pouco respeitadas pelos locutores.

N/D
25 Fev 2004

Despreza-se a função que impõe respeito à verdade, o respeito ao ouvinte, o respeito à sociedade e à formação da mesma. E acontece que, por vezes, tem o apoio de sectores políticos, mormente os de esquerda, como se registou recentemente.
O semanário “O Diabo” de 10 de Fevereiro trouxe algumas informações, que desejamos transcrever para elucidação dos nossos leitores. São elas: «Em declarações ao Expresso Abílio Curto, autarca da Guarda condenado a cinco anos de prisão por corrupção, garante que todo o dinheiro que lhe passou pelas mãos foi direitinho para os cofres do Partido Socialista, para sustentar campanhas eleitorais». E também: «Esta semana foi marcada pela possível libertação de Carlos Cruz que pretendia esperar o julgamento fora da cadeia. O juiz decidiu ao contrário e foi o fim do mundo. Toda a gente tinha uma palavra a dizer, uma opinião a apresentar e eu pasmo como raio é que num país de semianalfabetos há tanta gente especializada em processos judiciais. Mas, o que me choca é ver como há quem queira adaptar a Justiça quando há nomes sonantes envolvidos. Foi o caso das escutas telefónicas, reforçadas pelo PS e que passaram a execráveis quando atingiram os cabecilhas do partido. Depois, o escândalo por se verificar que os períodos de prisão preventiva são elevadíssimos, coisa em que ninguém repara quando quem os sofria era a arraia miúda».

Sabemos que a imprensa é uma força na sociedade que a lê. Acontece, até, que lê a mesma e não reflecte sobre o que lê. Há outros leitores que vêem as notícias e as opiniões e as julgam pelo seu critério ideológico e não pelo critério da objectividade.

Acontece, até, que há pessoas responsáveis pelo cargo que ocupam e que receiam a imprensa, bem como todos os órgãos de informação.

E há quem trabalhe na imprensa e não acolha as restrições que se lhe impõem. Isto tem-se verificado ultimamente, e muito, no caso Casa Pia.

Analisando este facto, Narana Coissoró, em entrevista ao semanário “O Diabo” de 10 de Fevereiro, disse com toda a clareza: «Neste momento o caso Casa Pia mostrou que a liberdade de informar pode prejudicar gravemente os princípios fundamentais da dignidade humana, o direito do bom nome, à boa reputação, à intimidade da vida privada das pessoas. Portanto há que equilibrar estes dois interesses: o interesse de informar quando seja caso de interesse público e o interesse de preservar o bom nome e a reputação das pessoas». Convém reflectir muito a sério no problema, visto que, entre nós, ultimamente, se tem excedido demasiado a notícia, ou notícias, que envolvem as pessoas.

E mesmo que os tribunais venham a declarar a inocência da pessoa, não terá o efeito desejado pela mesma verdade, porque o tempo já não acode aos feridos pela mentira e pela injustiça, e a sentença judicial fica como documento do atingido e não é divulgada a tempo e horas, se o for, de atingir o público que sentiu a influência dos arautos do «crime» que se não cometeu.

A formação moral e o carácter devem presidir ao trabalho e à vida de cada um de nós para evitar a influência da propaganda interessada em ganhar publicidade e com ela a venda dos respectivos órgãos de informação.

Quer tudo isto dizer que o leitor da imprensa deve preparar-se para saber acompanhar a informação que os respectivos órgãos de informação da mesma nos dão e evitar a sua influência. E certamente que também deverá dar aos informadores nos diversos órgãos o respeito devido à formação que desempenham e à finalidade da mesma, e olvidar o interesse doentio da venda do respectivo órgão através do mau uso do mesmo no plano da informação.

A verdade deve sobrepor-se à exploração e à obtenção de meios que não condizem com a função nobre e social dos órgãos de informação.




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