Fotografia:
774. Senhor Presidente da República:

1. Por terra, ar e mar somos invadidos pelos espanhóis. E não há, por mais bravo que seja e apelo às armas faça, Ministro da Defesa capaz de suster a invasão. Que a poderosa arma que utilizam é económica e… silenciosa! Obviamente, tão ou mais mortífera que qualquer cogumelo nuclear!

N/D
25 Fev 2004

Enquanto isto, quais cavalos de Tróia da era moderna, certos fazedores de opinião, mesmo sem Ibérica (Península), apelam ao iberismo! E sem contenção nem reservas. Pura e simplesmente, como gatos escondidos com rabo de fora, dando de mão beijada a Pátria aos espanhóis, numa versão, revista e actualizada, da saga do tal Miguel de Vasconcelos, escondido no armário do paço real!
E como é timbre da nossa vivência caseira, lá vamos entretendo o nosso dia-a-dia com minhoquices e dramas de faca e alguidar (processo Casa Pia, morte de Fehér, Pinto da Costa versus Dias da Cunha, Euro 2004…), deixando passar ao lado coisas como esta que nos podem, a longo prazo, prejudicar, seriamente, e mesmo pôr em perigo a soberania nacional! Forma de estar lusitana tão ao jeito do nacional-porreirismo a que não são alheios a Assembleia da República e os sucessivos governos e, até, a Presidência da República, sempre pronta a reverberar os actos de ambos os órgãos de poder!

Parece até, senhor Presidente, que nos falta sentido internacional e que tememos, de tão pequenos e possidónios, os parceiros europeus, deixando-nos enrolar, ingenuamente, e com a simplicidade com que se compra, com um mero rebuçado, a cumplicidade de uma criança!

E tão verdade isto é que, se perguntarmos ao comum dos cidadãos se a invasão espanhola é útil, a resposta é sim! E o argumento, óbvio: mais vale espanhóis de barriga cheia, que portugueses de mãos a abanar!

2. Por isso, senhor Presidente, já não bastando o domínio económico de Espanha que avança sobre este jardim à beira-mar plantado, agora nuestros hermanos estão a secar os rios Tejo e Guadiana! E este fecho da torneira é, obviamente, muito gravoso para nós. Sem água nestes rios, as albufeiras secam e a factura da electricidade dispara. Como quem diz, estão-nos a apertar o gasganete e nós cantando e rindo!

É público que a Estremadura e Andaluzia vizinhas são regiões dominadas por secas sucessivas. E a tentação espanhola de retirar água destes rios é já velha. A ponto de no tempo do governo de Guterres ser assinado um convénio sobre a matéria e, há dias, na assinatura do mercado ibérico da electricidade, Aznar declarar que foram travadas as tentações de fechar a torneira nos rios à entrada de Portugal (sic).

Só que, senhor Presidente, na prática, tudo não passa de palavreado de circunstância e de boas intenções. E de boas intenções… Depois, Aznar está em fim de carreira e quem depois dele vier, pelos seus actos e intenções, claramente, não responderá.

Diziam os antigos que de Espanha nem bom vento nem bom casamento! E as provas, por muito que custe à nossa genética pacovice e brandura de costumes, estão à vista! Para mal dos nossos pecados e futuro negro dos nossos netos!

Por isso, senhor Presidente, e contra a invasão, que apoiada também num falso iberismo sem Ibérica, vai alastrando, façamos valer os nossos direitos em defesa da nossa idiossincrasia, independência e soberania nacionais! E na certeza de que a quem muito se agacha…
Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




Notícias relacionadas


Scroll Up