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Carnaval

Para além do uso ou não uso da carne no menu alimentício, o Carnaval é conhecido também pelo uso da máscara. É a altura escolhida pelo homem para apresentar duas caras: a natural e a postiça. – Qual a verdadeira?

N/D
24 Fev 2004

Ordinariamente, costuma-se apresentar como verdadeira a cara de todos os dias, isto é, a cara sem disfarce.
Mas, analisadas as coisas em pormenor, em muitos casos, constata-se que a cara postiça, simbolizada na máscara, é mais consentânea com o temperamento e com o proceder da pessoa retratada, do que a cara natural.

No fundo, estamos perante a tradicional questão do ser ou não ser ou, se quisermos, entre o fenómeno do ser e a simbologia do parecer.

Algumas vezes, as pessoas são, sem o parecer; noutras ocasiões, as pessoas parecem que são, mas realmente não são.

A regra geral é esta: – as pessoas deviam «ser o que parecem e parecer o que são». Infelizmente, não é bem assim!…

Entre o ser e o parecer, existe a verdade; entre o parecer e não ser, existe a hipocrisia.

Apontam-se dois motivos, para a escolha da máscara de Carnaval: – ou se escolhe, por gosto, ou se escolhe, por desdém.

Quando escolhemos, por gosto, exprimimos um desejo de ser; quando escolhemos, por desdém, formulamos uma nega ao ser.

Ser ou não ser… eis a questão!, já dizia Shakespeare.

Aqui chegados, uma pergunta se põe:

– A vida de muita gente, no globo terrestre, é uma realidade ou uma encenação?…

Por um lado, como não podia deixar de ser, é uma realidade; por outro, dado que o homem é um actor nato, sejam quais forem os cenários desenhados ou as personagens da peça que represente, a vida de muita gente não passa de uma encenação.

Umas vezes, ricas de imaginação e colorido; outras, pobres de conteúdo e tristonhas de representatividade.

Para elas, o Carnaval não se reduz a uma data, mas exprime uma forma de viver que se processa, no dia a dia de toda a existência, sempre que a representação ocupa o lugar da realidade.

É o velho diálogo, entre o homem que é e o homem que finge ser.
Ser ou não ser!…

A resposta a esta velha questão, no meu entender, deu-a o Papa quando pediu:
– Homens, sede homens!…




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