Fotografia:
Engenharia social

A Assembleia Nacional francesa aprovou afinal por esmagadora maioria de votos, no passado dia 10 de Fevereiro, a controversa lei que proíbe expor símbolos religiosos nas escolas públicas.

N/D
21 Fev 2004

Os muçulmanos franceses afirmam que a lei, que proíbe, entre outros, o porte pelas alunas muçulmanas de cobertura de cabeça, limita os direitos dos cidadãos. A proibição estende-se igualmente às kippas judaicas e a crucifixos grandes. A lei foi apresentada como servindo o objectivo de evitar tensões entre as minorias muçulmana e judaica dentro das escolas. Depois de passar na Assembleia Nacional com 494 votos favoráveis e apenas 36 contra, a nova lei terá ainda que ser aprovada pelo Senado e mais uma vez pela Assembleia Nacional. Mas é de esperar que o restante processo legislativo não passe de uma formalidade.
O artigo chave da lei diz que “nas escolas estatais primárias e secundárias é proibido o porte de símbolos e vestes que de modo visível mostrem a confissão religiosa do aluno”.

“Trata-se de dizer claramente que a escola pública é lugar de ensino e não de actividade bélica ou proselitismo” – disse o presidente da Assembleia Nacional, Jean-Louis Debre.

Para além da população francesa muçulmana, que conta cinco milhões de pessoas, outras vozes, dentro e fora de França criticaram a nova lei. Entre outros, o Papa João Paulo II, o Cardeal Mario Pompeda (um dos maiores especialistas em Direito na Igreja Católica), o presidente da câmara municipal de Londres, Kevin Livingstone, ou o padre Govanni Marchesi, teólogo da revista dos jesuítas italianos, “La Civilta Cattolica”, cujo comentário foi: “A França imita a Arábia Saudita”.

Não é a primeira vez que a França revela dificuldades em distanciar-se de uma profunda influência maçónica. A esta maçonaria – que é fundamentalmente anti-religiosa e muito especialmente anti-católica, muito mais que no caso da maçonaria que se desenvolveu nos países de cultura anglo-saxónica – é estranha a coexistência étnica e religiosa. O projecto maçónico, auto-proclamado universal e defensor da tolerância e da liberdade, é finalmente um modelo redutor, limitador das liberdades humanas e intolerante.

E hoje quando se clama tanto contra a pretensão americana de levar o seu modelo político-social ao mundo – mesmo se não é lembrado que na raiz esteve um projecto maçónico, permanece estranhamente desapercebida uma ambição francesa semelhante e não menos activa (vide preâmbulo do texto da constituição da UE), directamente derivada de uma outra maçonaria, portadora esta de um projecto ainda mais virulento, porque genuinamente adverso de tudo o que esteja ligado à revelação Divina e aos valores que esta imprimiu na nossa civilização.

Não faltam na Europa nações com as quais a França poderia aprender em termos de coexistência religiosa secular exemplar. Mas vá lá alguém ensinar alguma coisa aos franceses – eles é que são os nossos professores, especialistas em engenharia social. Se as teorias não concordam com a realidade, corta-se-lhe o pescoço…




Notícias relacionadas


Scroll Up