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A política e a informação

Estamos em democracia e todos falam da liberdade que nos trouxe e da informação que nos permite fazer sem limitações, com desrespeito para com a legislação que se pronuncia sobre o “problema” e a moral que toda a pessoa, seja qual for o seu credo político, deve respeitar.

N/D
18 Fev 2004

A pessoa humana e os seus direitos ficam sujeitos, nesses comentadores, apenas à sua vontade e não à verdade e ao respeito à pessoa.
Então, a pessoa, entrou neste ambiente político não pelo seu valor real, mas pela conveniência da política e dos políticos que a exercem.

E no plano informativo tem-se dado primazia, por vezes, ao negativo e não ao positivo.

Impressionou-nos, por isso, um texto publicado no semanário “O Diabo” de 3 de Fevereiro, cujo autor tem apenas vinte e três anos.

Embora os comentários que faz resultem de “Episódios da descolonização”, após leitura de trabalhos de Jorge Jardim e de José Freire Antunes, são oportunos, objectivos e actuais.

São um retrato da vida cultural portuguesa face aos acontecimentos que se registam e à atitude dos que se dizem intelec-tuais da “esquerda”.

Porque são uma análise actual e objectiva, vamos publicá-la e fazemo-lo para informação dos nossos leitores, que, certamente, admirarão que um jovem de 23 anos se pronuncie com tanta objectividade e clareza.

Dá-nos um retrato do que se passa neste sector em Portugal, actualmente, e fá-lo com coragem, com verdade dos factos.

De referir que, pela idade, não viveu o 25 de Abril e com a mesma idade não é fácil encontrar-se, hoje, em Portugal quem tenha a coragem de se afirmar com tanta isenção, apenas com o compromisso da verdade que já é histórica e da atitude dos portugueses face à mesma verdade.

As palavras escritas que vamos transcrever, como já referimos, foram colhidas após leitura dos livros de Jorge Jardim e de José Freire Antunes. Hei-las: «Digo isto porque após leitura cuidada, deparei-me com o facto de pessoas como o Dr. Mário Soares e Almeida Santos, que tanto criticaram e criticam a ditadura do Estado Novo, nunca foram devidamente criticados pela sua quota de responsabilidade na nossa “original descolonização”. Outros também tiveram a sua quota neste processo: Major Melo Antunes, Victor Crespo, Gen. Costa Gomes, etc., etc., etc… Apenas digo isto porque estes senhores foram contestatários, mas nunca são contestados. Acho uma injustiça tudo isto. Se calhar só falo nisto porque nessa altura ainda por cá não andava (tenho apenas 23 anos), mas acho que este assunto (descolonização) deve ser tão divulgado quanto foi o 25 de Abril, a Guerra no Ultramar e tantos outros acontecimentos. Ou será que temos uma imprensa apenas de Esquerda, e que quando se trata de apurar responsabilidades ninguém se chega à frente?»

Este comentário, muito objectivo e corajoso, é um retrato do que, infelizmente, se passa entre nós no campo político.

Até no Parlamento há presentemente uma campanha, de esquerda, para ferir o Governo. A oposição quer ver o Governo fora do lugar que democraticamente conquistou. E começou já uma campanha, a propósito das próximas eleições na União Europeia, a realizar no mês de Junho.

Como se vê, a democracia não é um sistema político de governação em regime de liberdade. Esta, para a existência de Governo em actividade, depende da Constituição e, portanto, da legislação vigente. Para a Esquerda, a legislação está sujeita à sua vontade, mesmo quando a lei não é infringida.

Factos como este expressam a maneira, a forma, como na execução da mesma lei a Esquerda vê a legislação vigente: ao seu serviço, caprichos e interesses.

Impõe-se uma formação política séria, objectiva e responsável, a qual prepare os cidadãos e os políticos para participarem na actividade nacional de forma a servir a Pátria, respeitando a sua História, e a servir a actividade política no sentido de colocarem os interesses nacionais acima dos interesses subjectivos, pessoais e partidários.

Entre nós, temos assistido a atitudes políticas que se prendem aos interesses partidários mais do que aos verdadeiros interesses nacionais.

É preciso lembrar palavras de Churchil, destacado político e primeiro-ministro inglês, que recomendou aos políticos ingleses esta sentença pessoal: «A liderança exercida por meio da percussão e a aceitação sincera de uma decisão adversa são elementos fundamentais da democracia».




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