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773. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga:

1. Muito mais que de grandes avenidas, ruas, largos, praças e edifícios, as cidades fazem-se de memórias! De cultura! Daí os nomes que se dão às praças, largos, ruas e avenidas e sempre de vultos ligados à sua história (económica, artística, cultural e religiosa).

N/D
18 Fev 2004

E Braga não foge à regra, embora continuemos com a maioria, senão a totalidade desses nomes (inexplicavelmente, quase só masculinos, o que nos leva a perguntar se Braga nunca teve nem tem mulheres que mereçam ser dessa forma recordadas) por identificar (quem foram, quando viveram, o que fizeram) nas placas toponímicas (e por que tanto me tenho batido aqui, como factor intrinsecamente cultural).
Ora, há um vulto da história cultural da cidade que merece dar nome a rua, lugar, praça ou avenida. Refiro-me ao doutor Olindo Casal Pelayo. Para além de director da Escola do Magistério Primária, até à aposentação por limite de idade, em Setembro de 1974, o doutor Pelayo exerceu funções de professor no Liceu Sá de Miranda e de vereador da Cultura na Câmara Municipal de Braga.

Mas foi, sem dúvida, como director da Escola do Magistério que o seu nome ficou ligado à Educação Nacional e à nossa augusta cidade. Pedagogo e poeta de reconhecidos méritos e acendrada cultura humanista, o doutor Pelayo marcou, profundamente, a formação de muitas gerações de professores do ensino primário, que, nas últimas décadas, fizeram a história da educação primária nacional.

Por isso, senhor Presidente, penso que a cidade tem para com o doutor Olindo Casal Pelayo uma dívida de gratidão que é preciso saldar. E que pode passar pela atribuição do seu nome a uma rua, largo, praça ou avenida desta cidade que tão, generosamente, serviu.

Além do mais, se os homens passam, as obras ficam e devem falar por eles!

2. Um dos mais lídimos traços da raça lusitana é, gostosamente, o cortar a direito! Ora, cortar a direito significa atalhar caminho, ser objectivo e prático, não ser empata. Assim, todo o português que se preze e se espelhe no vidro da raça de um D. Afonso Henriques (que, cortando a direito, a própria mãe prendeu), não anda às curvas, nem aos esses! Seja no emprego, em família, no futebol ou nas razões do coração, o bom portuga corta sempre a direito!

Ora, senhor Presidente, os bracarenses, porque não fogem à regra, lá mostram a sua verdadeira raça nos jardins da cidade. E qual formiguinhas, obreiras e certinhas, aí traçam carreirinhos por onde mais depressa chegam ao emprego, ao transporte público, à loja da esquina!

Ora, na Avenida Central, topo nascente, os carreirinhos, talvez devido ao jardim de infância e escolas pré-primária e primária na zona existentes, já eram mais que as mães! Vai daí, há tempos, uma equipa de jardinagem ali apareceu e a direito cortou, abrindo três passagens lajeadas no jardim, para que o trânsito de crianças e adultos para as escolas e de muitos cidadãos ao comércio local se faça com civismo e fluidez!

Pena é, senhor Presidente, que o exemplo não frutifique noutros sectores, tão tortuosos e ínvios, da vida da cidade, mormente da cultura, do ambiente, do património, do trânsito, das zonas verdes, da construção civil!

Até para que se diga:

– Cortou a direito? Cortou muito bem!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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