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Não embrulhemos a tenda

As visitas pastorais às paróquias da cidade de Braga, estes dias concluídas, tiveram um enquadramento pouco comum: foram anunciadas em conferência de imprensa, publicitadas na paisagem urbana, comentadas nos media, reportadas com razoável desenvolvimento. Foram, sobretudo, preparadas com suficiente cuidado, tendo o Arcebispo Primaz a preocupação de pensar para cada uma das paróquias uma mensagem específica.

N/D
16 Fev 2004

Terminada a “peregrinação”, espera D. Jorge Ortiga que, uma vez tudo somado e mais uma vez reflectido, a pastoral da cidade possa vir a contar com um programa «mais elaborado e sistematizado e, sobretudo, mais prático».
É bom, de facto, que assim seja; e que as portas estas semanas abertas para recepções mais descontraídas e menos protocolares não se fechem… até à próxima.

Não; não embrulhemos a tenda!…

É bom que os debates continuem, os blogs se mantenham interpelativos e se discuta o que pode e deve ser discutido. E que é muito – apesar da tentação de nos fecharmos em seguranças adquiridas.

Se não dogmatizarmos opiniões nem relativizarmos a doutrina, caindo no fanatismo (que também pode ser laico) ou num “porreirismo” traiçoeiro, percorreremos o caminho da atenção aos sinais.

Tenho muita esperança que assim venha a acontecer; mas igual dose de medo da nossa inconstância, se lhe posso chamar assim…

O que se ensaiou nestas semanas não pode ser – não podemos deixar que seja – mais um solavanco; desses proporcionados por condutores inexperientes, que aceleram até ao fim da recta, travam a fundo em cima da curva e voltam a acelerar logo depois.

Efeitos? Fazem a estrada insegura, arruínam o veículo e arrasam os nervos e a coluna dos passageiros…

Que perguntas fez a cidade à Igreja diocesana nestas semanas? Que anseios, aspirações e carências se detectaram de forma mais notória?

Eis aí o trabalho imediato: ajudar a encontrar respostas e caminhos; mas para essas perguntas, para esses anseios e aspirações… Por muito que se desviem do que gostaríamos ou esperávamos. Por maior desassossego que nos causem.

Admitamos, entretanto, que nem tudo tem a mesma prioridade. Se não o fizermos, apossa-se de nós o desespero ou a vertigem e, na mesma proporção, afastamo-nos das soluções lúcidas e minimamente consistentes.

Desceu-se ao povoado, percorreu-se o areópago e descobriram-se altares a muitos deuses. Anuncie-se agora o Deus desconhecido – sabendo, como Paulo, encontrar sede de divino na idolatria dominante. Ou não são, afinal, os que procuram que encontram?…




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