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Mosquitos e camelos

Esta relação paradoxal é apresentada significativamente por Jesus Cristo, numa disputa com os fariseus, após a sua última entrada na cidade santa de Jerusalém. Cristo vituperou o comportamento dos aderentes a esse grupo político-religioso, e, entre outros apodos, lançou-lhes no rosto de que eles filtravam mosquitos e engoliam camelos (Mt. 23,24).

N/D
15 Fev 2004

Esta expressão significa que há pessoas que dão demasiada importância a aspectos minúsculos e inócuos e postergam outros de suma importância, como quando Cristo, na mesma ocasião, afirmava que os seus opositores pagavam o dízimo da hortelã, do coentro e do cominho, coisas insignificantes, e esqueciam a justiça, a misericórdia e a fidelidade.
Em contacto com os textos bíblicos que surgem na liturgia da palavra da santa eucaristia, lembrei-me da citada passagem ao ver as últimas emissões televisivas relacionadas com os arguidos do processo forense da Casa Pia.

Para mim tudo aquilo que se está a passar tem pouco a ver com a dignidade, a isenção e o juízo das pessoas que têm o dever de administrar a justiça. É um meter-se por atalhos e mais atalhos, esmiuçar ao último pormenor falhas da vida pessoal das pessoas, esquecendo-se que estão a pôr em xeque o bom nome das pessoas, a castigá-las demasiadamente, bem como aos familiares mais próximos, para além dum trabalho infinito dos advogados, alguns dos quais já se manifestam cansados e indignados com esta novela que mais parece um enorme drama.

Pobre de quem cai nas malhas duma justiça tão fria e inexperiente! Custa-me a compreender que magistrados ricos de experiência e bom senso se tenham afastado destes casos graves da justiça e seja sempre a mesma pessoa a dar a cara num enredo extravagante e sem fim à vista.

E tudo isto acontece em nome da lei. Esta proíbe a pedofilia. E chegou o tempo do juízo final e universal para os prevaricadores. É a justiça cega e legal, legal e cega. Só que esta justiça engole camelos ao esquecer, melhor, ao querer justificar, legalizar, promover, verdadeiros crimes contra a lei natural e divina, como é o caso do aborto.

Tem havido uma campanha furiosa e alargada para a despenalização do aborto, que é sinónimo da sua aprovação, pois o que se despenaliza é aprovado como normal.

Custa-me a compreender como é que pessoas empenhadas no bem comum, na solidariedade social, na defesa dos mais pobres, admitam, sem tergiversações, a destruição dum ser humano que está a iniciar a sua carreira para cumprir, como seus pais, uma missão, quem sabe da maior importância.

Recordo de recente praça pública uma defensora desse triste projecto que, há poucos anos, derramava lágrimas quando os irmãos timorenses eram massacrados por defenderem as suas raízes culturais e independência. Triste!

O ser humano que está no seio das mães não é tumor, mas é alguém que tem direito a viver e que não se pode defender. As clínicas que executam a obra macabra de os extirpar e destruir são antros de satanás, iguais a tantas guerras que massacram crianças e pessoas inocentes.

Pessoalmente sou a favor da vida, de mais gente lusitana para continuar Portugal que está a ser invadido por povos – não bárbaros – do norte, do sul e do oriente. E sou também a favor da misericórdia e fidelidade, de que falava o Divino Salvador. Se houvesse mais humanidade e compreensão, não assistiríamos a tantos espectáculos que ofendem os sentimentos de qualquer cidadão de mediana formação.




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